play

por Jerônimo Rubim
Trip #222

Na Praia da Atalaia, em SC, nativos já expulsaram forasteiros com paus, pedras e pancadas

Na Praia da Atalaia, em Santa Catarina, nativos já expulsaram forasteiros com paus, pedras e pancadas. O localismo virou tema de documentário, lançado em maio

Tem que saber entrar para saber sair. O bordão serve de aviso a qualquer um que chegue com pranchas de surf à Praia da Atalaia, em Itajaí, Santa Catarina, onde as longas esquerdas são guardadas com ferocidade pelos locais – uma tradição mantida desde os anos 70. Criado por acidente nos anos 60, depois da construção dos molhes que separam a praia do rio Itajaí-Açu, o point break passou a atrair paulistas e cariocas experientes na arte de deslizar sobre o mar.

É aí que começa a lenda. Em um estranho caso de localismo às avessas, os itajaienses, jovens e ainda nos primeiros passos do esporte, passaram a ser hostilizados pelos forasteiros em seu próprio quintal. “Depois de um tempo, vendo o absurdo que era a gente não poder surfar na nossa praia, decidimos: vamos botar pra correr”, conta Álvaro Rocha Koeming, o Alvarenga. Ele fez parte da “Libertação da Atalaia”, quando os nativos expulsaram os haoles debaixo de uma chuva de paus, pedras e pancadas.

A partir daí, a clássica esquerda, longa e forte, passou a pertencer a poucos privilegiados. Os locais não davam mole: além dos gritos e enfrentamentos dentro da água, atiravam pedras, quebravam pranchas, distribuíam murros e rasgavam os pneus dos carros para mostrar quem mandava na área.

Nem a imprensa escapava. Nos anos 80, a Fluir, revista nacional de surf, enviou uma equipe de reportagem para registrar a tal esquerda; os surfistas não gostaram da exposição e deram cabo do automóvel. A reportagem saiu com o título de “Atalaia, a praia proibida” e ajudou a cimentar a aura casca-grossa do pico.

Depois de décadas de violência, diz-se que o localismo virou mais psicológico do que físico. O jornalista Diego Lara não pega ondas, mas foi expulso da praia porque seu carro tem placa de Jundiaí (SP). Ele se encantou pelo tema e em maio lançou o documentário Restrito, que conta essa história com depoimentos e imagens das várias gerações de surfistas. No lançamento do filme num festival de cinema em Camboriú, 400 nativos urravam a cada depoimento sobre surras ou expulsões. Na dúvida, é melhor conhecer um local antes de se arriscar por lá.

fechar

Entre em contato
com a trip


fale conosco

PABX +55 (11) 2244-8747
Caixa Postal: 11485-5
CEP: 05414-012
São Paulo - SP

atendimento ao assinante

SP (11) 3512-9465
BH (31) 4063-8433
RJ (21) 4063-8482
das 09h às 18h
assinaturas@trip.com.br
 CENTRAL DO ASSINANTE 

ou se você preferir:

e-mail inválido!
mensagem enviada!
fechar

Assine


E leve ousadia, moda, irreverência,
comportamento, inspiração.
Tudo isso com coerência, profundidade
e um olhar que só a Trip tem.

trip

Desconto de 25%

1 ANO
11 edições
R$ 98,18
6 x R$ 16,36

Capa Conceito

assinar

1 ANO
11 edições
R$ 98,18
6 x R$ 16,36

Capa Trip Girl

assinar

trip

Grátis um super relógio

2 ANOS
22 edições
R$ 261,80
6 x R$ 43,63

Capa Conceito

assinar

2 ANOS
22 edições
R$ 261,80
6 x R$ 43,63

Capa Trip Girl

assinar
fechar