FASE ANAL
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Não é preciso ter nascido na Áustria, fumar cachimbo ou conhecer os meandros do inconsciente para fazer a óbvia constatação de que o Brasil está em plena fase anal. As evidências vão das mais óbvias, como a idolatria a Carla Perez, uma figura cujo único atributo é um corpo desproporcional com canelas grossas e bunda descomunal. Com o auxílio de uma leve flexão de joelhos a tal bunda é mantida arrebitada e entreaberta para o delírio de uma nação.
A fase anal verde-amarela é conhecida há tempos como a ‘preferência nacional pela bunda’. Já descrevi o fenômeno neste espaço sob o título O Brasil é Bunda. Volto ao tema. Vejamos, por exemplo, o gestual adotado pelo jogador Junior Baiano para comemorar seu gol. O clássico vaivém de antebraços na altura da cintura com os punhos cerrados aceitaria sem brigas a tradução ‘Botei no seu …’. Quando interpelado por jornalistas em nome da revolta e indignação da torcida lusa, Baiano respondeu que qualquer grupo de pagode faz esse gesto na Globo e ninguém reclama. De fato, é justo atribuir boa parte da fama e dos milhões arrecadados por grupos como É o Tchan, Molejo, Terra Samba e afins à insistência com que se colocam como porta-vozes do Brasil anal. A dança da garrafa que levou o Brasil à loucura, fez papais e mamães de classe média pirarem em festinhas diante de suas filhinhas e (pasmem) filhinhos literalmente sentados nos gargalos fálicos de garrafas de Brahmas e Antarcticas.
Gugu Liberato, que cem vezes mais que Ratinhos e Leões é o maior animal predador da televisão brasileira, pode ser considerado o grande mentor da ‘Escola de Samba Unidos da Bunda Arreganhada’ em que o Brasil vai se transformando. Talvez para resolver suas próprias dúvidas vive de mostrar Luiza Ambiel em decúbitos variados, danças do carrinho de mão, da manivela, do trenzinho, da bicicletinha e outras formas de banalização da cultura popular brasileira.
A melhor tese que já ouvi para explicar o fenômeno foi enunciada pelo psicoterapeuta Jacob Pinheiro Goldberg em um programa de tevê: ‘A bunda tem formas exuberantes, torneadas, belas, arredondadas e toda este beleza plástica e sensualidade oculta em suas entranhas e sujeira, a excrescência, aquilo que deve ser escondido segundo a moral cristã burguesa que nos assola. Para trincar ainda mais os pobres e confusos cérebros canarinhos, há ali dentro terminações nervosas capazes de gerar prazer e dor em muita gente’. Há metáfora mais perfeita para nosso sofrido e mal resolvido País?
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