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EU MATEI O JAPONÊS

Soube por gente muito próxima do universo da Faculdade de Medicina que o tal 'Ceará' anda completamente zoado.

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Soube por gente muito próxima do universo da Faculdade de Medicina que o tal ‘Ceará’ ou como com certeza preferem seus pais, Frederico Jana Neto, anda completamente zoado. Quem já passou a menos de cem metros de uma carceragem de delegacia, por mais privilegiada que possa ser, sabe que é absolutamente impossível ficar ‘guardado’ numa delas e sair são. Pelo que diz o burburinho dos alunos, nas tardes do ‘Clubinho Oswaldo Cruz’, na travessa da Oscar Freire, Ceará é o clássico ‘laranja’. Consta que o cara não é exatamente colocado nas listas dos mais ‘espertos’. Quem estudou em qualquer faculdade sabe que invariavelmente, há dezenas de figuras que, deslumbradas com o novo ambiente, escolhem se encaixar nos grupos dominantes, funcionando como espécies de soldados, massa de manobra dos ‘comandantes’, aqueles que em geral se destacam por serem mais palhaços, mais criativos ou até mais fortes fisicamente. Não conheço o cara, mas pelo que ouvi de quem está próximo, e mesmo juntando os fatos, entrevistas e depoimentos, tudo parece apontar para o obscuro lado da Escola Base, como aliás definiu bem Gabriel Priolli no JT do último dia 4. Tenho de dizer inclusive que diante do que escreveram o próprio Gabriel e um ou dois outros jornalistas de faro e bom senso apurados, nem pretendia retomar o assunto. Em seus artigos, já haviam levantado a provável hipótese de que o depoimento de Frederico à câmera de vídeo durante uma ‘balada’ da faculdade não passou de manifestação boçal e infeliz de quem quer ser aceito numa turma boçal e infeliz. De resto, serviu como luva ao poder público mal informado, mal aparelhado e perdido em suas investigações, frente a uma turma de universitários de medicina para quem espírito de corpo é algo mais que um pobre trocadilho. Coube perfeitamente também, nos dedos ávidos dos cada vez mais abundantes veículos que, fantasiados de ‘jornalísticos’, saem desesperados todos os dias à cata de algo que lhes preencha as desgraçadamente numerosas e vazias pautas e lhes garanta o pagamento da prestação do Corsa no fim do mês.

Por último, cabem ainda duas colocações. Por que a justiça e a polícia não conseguem a mesma agilidade para punir criminosos frios como Viscomes, Garibs e outros tantos que virão à tona quiçá antes do próximo século. Segundo, atire a primeira pedra quem nunca fez uma brincadeira idiota com ou sem câmera de vídeo apontada na sua direção. Mais longe, quem nunca cedeu à tentação mórbida, quase uma necessidade carnal do brasileiro de exercitar o humor negro, muito especialmente esta espécie de necrofilia verbal que assola o país, sempre que alguém morre em circunstâncias trágicas. Mais longe ainda: não raro, nascem nas mesmas redações que se apressam em levantar a bandeira da moral, as piadas grotescas que se espalham instantaneamente quando morrem tragicamente figuras como Ayrton Senna, João do Pulo, Ulisses Guimarães, os Mamonas Assassinas ou Leandro, da dupla sertaneja.

Somos, em verdade, um bando de ‘Cearás’, hipócritas comandados por uma corriola de ‘Cearás’ ainda piores.

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