ENGANAÇÃO
Hoje à noite, no Rio de Janeiro, a revista 'TRIP' estará concorrendo como finalista ao prêmio mais importante do jornalismo brasileiro.
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Hoje à noite, no Rio de Janeiro, a revista ‘TRIP’ estará concorrendo como finalista ao prêmio mais importante do jornalismo brasileiro. A matéria que concorre com artigos de ‘IstoÉ’ e ‘Terra’, é a que deflagrou a campanha da revista contra a propaganda enganosa da indústria do cigarro. É ela que pode sair agraciada com o Prêmio Esso. Ao longo de um ano, intensos debates foram puxados por uma série de artigos questionando as mensagens mentirosas que associam o ato de fumar ao sucesso, à sensualidade, à saúde e aos esportes. Nem tudo, porém, foram prêmios e elogios. Houve quem se sentisse atingido pelo intenso movimento gerado por tais debates. Alguns profissionais de propaganda, promoção e design, por exemplo, viram-se questionados por dedicar seus talentos e habilidades a uma indústria que mata à razão de 4 milhões de pessoas por ano. A melhor resposta a estes profissionais, para que seu questionamento transforme-se em atitude, foi dada por Kalle Lasn, editora da revista canadense ‘Adbusters’. Se você conhece algum artista, publicitário, cineasta ou designer que colabora com a propaganda que mata, envie-lhe um xerox ou e-mail com as palavras a seguir:
Escola Inferior de Propaganda e Marketing
Designers são para nossa ‘era da informação’ o que os engenheiros foram para a era do vapor e das máquinas, o que os cientistas foram para a era da razão.
Eles ajustam e moldam o tom do ambiente mental. O visual das revistas, o conteúdo e a pegada da TV, o toma-lá-da-cá da internet. Eles criam a inveja e o desejo que são o combustível da economia e do cinismo que definem nossa condição pós-moderna.
Mas a coisa mais interessante sobre o design hoje não são as pirotecnias digitais, as formas mutantes explosivas, ou a anarquia selvagem de todo esse ambiente artístico. É a política. Mais que qualquer outra profissão, o design fica na linha de fogo cruzado entre duas visões de mundo que brigam e competem entre si: o moderno versus o pós-moderno; o comercial versus o não comercial, o planeta Terra versus o planeta S. A.
Saibam os designers ou não, a profissão deles é uma das chaves do esforço pela produção e distribuição de significado.
Muitos designers se recusam a acreditar nisso. Eles foram às escolas que os ensinaram a serem ‘profissionais’ e costumam argumentar que os trabalhos existem simplesmente para servir às ‘necessidades de comunicação’ dos seus clientes. Eles foram criados de forma a se distanciar dos valores éticos e políticos implícitos à própria atividade.
Gerações de designers aprenderam a colocar de lado seus sentimentos e crenças pessoais e simplesmente entregar ‘soluções de design’.
A crítica Katherine McCoy compara esta atitude à das prostitutas, praticantes da assim chamada ‘ mais antiga profissão’. Elas ‘têm de manter uma extrema e fria objetividade sobre a mais íntima das atividades humanas, disciplinando as próprias respostas e questionamentos, para entregar uma imparcial e consistente mercadoria a seus clientes.’
Pobre dos ‘market oriented’ designers modernos. Eles são bem pagos pelo seu sexo comercial, mas a paixão os engana.
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