E O CORPO DO FERNANDO?
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Agora, reeleito de largada no primeiro turno, Fernando Henrique mal terá tempo de descansar em alguma viagem ao exterior ou no sítio em Ibiúna e vai pegar de frente uma parada pesada e intensa de negociações. As benditas reformas, o trato com as autoridades financeiras internacionais, o FMI, o G7, composições com as novas lideranças do legislativo surgidas nas eleições e mais centenas e centenas de etcéteras.
Para isso, terá de se preparar. Apesar de eventualmente aparentar certo cansaço, a saúde do presidente tem se mostrado uma forte aliada nestes primeiros anos de mandato. Por sorte ou felicidade genética, FHC parece conseguir manter a carcaça em dia através apenas da inteligência mental, deixando a inteligência física em quinto plano. Duplo vacilo, não só porque o preparo do corpo pode lhe garantir os anos de mandato que lhe custaram tanto intelectual, política e espiritualmente, mas também porque o uso inteligente do corpo físico e o esporte são a mais perfeita metáfora da vida e ensinam coisas que nem a Sorbonne, nem Borges têm o dom de transmitir. Há muito tempo, desde as manhãs de natação para sanar problemas de coluna, não se ouve falar de atividades físicas na agenda do presidente. Num momento em que olhar para a Rússia está mais do que na moda, vale refletir sobre a importância da degeneração física de Ieltsin no processo de desmoronamento político e econômico do país.
Na mão oposta, há quem atribua ao incrível trabalho físico e de alimentação ministrado ao presidente Bill Clinton durante sua gestão (que lhe mudou a silhueta, cor e postura de forma notável), a energia que lhe permitiu escapar relativamente inteiro da onda de pressão, ataques, processos, crise financeira pessoal, desordem familiar e todo resto que se sabe e que teria deixado a maioria dos mortais do mesmo jeito que ficava o Recruta Zero depois de apanhar do Sargento Tainha: um montinho de lixo com cabeça e braços, daqueles que se pode varrer e recolher com pá.
Talvez esteja aí, aliás, uma das poucas lições que FHC poderia aprender com o PT. Ao menos seus candidatos ao Senado por São Paulo são eficientes e compenetrados atletas. Suplicy, como é sabido, foi boxer com algum brilho e mantém-se ativo através da corrida, estando sempre elegante e ereto. Vicentinho, seu suplente, aderiu há algum tempo aos treinamentos de maratona e aparenta alguns anos a menos em seu semblante. Ambos foram eleitos com folga.
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