Dois na Bossa
Estes álbuns marcam um momento mágico na vida de dois artistas em um período pós-golpe militar
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Dois na Bossa – Mama’s Gun (Universal)
Estão na minha coleção de antológicos porque representam o que há de mais chique na música brasileira, principalmente quando se trata de discos ao vivo. Poucos álbuns ao vivo superam os Dois na Bossa, tanto pela qualidade sonora da gravação quanto pelas performances de meu pai e Elis. O primeiro pout-pourri do número 1, que tem O Morro Não Tem Vez, é espetacular. Essa série marcou bastante a minha infância. A música Ziguezague, do número 1 também, que meu pai gravou, me marcou por um fato interessante que aconteceu durante a gravação: uma pessoa foi subir no palco para abraçá-lo e acabou caindo no buraco da orquestra. Se você prestar atenção, no fim da música rola um barulho e meu pai comenta o acontecido nos versos finais. Acredito ser uma das contribuições mais importantes para a nossa música. Tudo muito groovado…
[Jairzinho Oliveira, músico, compositor e produtor, é o primogênito de Jair Rodrigues]
É um clássico. Um momento mágico na vida dos dois artistas e estranho na história do país, afinal era um período pós-golpe militar. Dois jovens talentosos vindos da periferia constróem um projeto multimídia na maior estação de TV do país e fazem, de quebra, um álbum efervescente. Aliás, foi o primeiro a vender um milhão de cópias no Brasil. Musicalmente traz muitosuingue, interpretações vigorosas e texturas bem interessantes. Na idéia original do projeto, o Baden Powell seria a dupla de Elis, mas, como ele não pode, por sugestão da esposa do diretor, colocaram o Jair em seu lugar.Vale ouvir.
[João Marcello Bôscoli, músico, produtor e sócio-fundador da gravadora Trama, é filho de Elis]
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