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DÁ PARA SER BOM, QUANDO SE QUER

É possível ter audiência larga com qualidade na mesma medida.

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Motivada pela coluna da semana passada, uma leitora das mais simpáticas enviou um conselho por e-mail. Sua sugestão, que acato há anos, era no sentido de manter a televisão desligada aos domingos.

É claro que hoje, como aliás mencionei semana passada, o advento dos canais por assinatura devolveu a utilidade domingueira deste eletrodoméstico.

O curioso é que foi por meio de uma emissora paga que tive a chance de constatar a evolução daquele que foi no passado um dos maiores motivos para a distância da TV, com suas infindáveis matérias sobre desgraças, doenças e remédios milagrosos.

O canal Globonews retransmite o Fantástico na madrugada, e, pego de surpresa, acabei admirado com o ritmo e a qualidade das pautas que, pelo menos no domingo passado, fugiram das obviedades e do lixo a que me referi no último artigo.

A ótima série da BBC sobre o funcionamento dos meandros de nossas carcaças, sustentada pela credibilidade da narração do Dr. Drauzio Varella por exemplo, é uma daquelas provas de que é possível produzir material que tenha ao mesmo tempo qualidade inquestionável e bons índices de popularidade sob a ótica do ibope. É claro, custam uma fortuna à altura apenas do tesouro inglês, mas a utilidade educativa, aliada ao entretenimento são inquestionáveis.

Chatérrimas

Como disse Paulo Renato sabiamente, a escola é chata. E ao contrário do que afirmou um grande jornal paulistano, não tem que ser. Em medida alguma. Quantas aulas infindáveis e chatérrimas de biologia não poderiam ser substituídas por uma série de documentários como essa por exemplo? Quanto conhecimento de primeira necessidade não é passado pelo programa de entrevistas do próprio Drauzio Varella, transmitido pelo Canal Universitário, que certamente não atinge audiências do tamanho da rede pública de ensino?

Voltando ao Fantástico, é claro que poderiam nos poupar das micagens extemporâneas de Cid Moreira, mas até elas ficam menores diante da graça do quadro de Denise Fraga interpretando histórias enviadas pelos telespectadores do programa. Mais uma vez, algo que só a estrutura global é capaz de executar com excelência. As encenações, além de riqueza de cenários e figurinos, têm direção e edição impecáveis, um casting de bons atores da nova safra de teatro, e uma atriz que consegue a rara façanha de ser muito engraçada, palhaça mesmo, e extremamente sexy ao mesmo tempo.

Revelando o escondido Na seqüência, uma boa matéria jornalística sobre os dantescos congestionamentos de São Paulo abriu uma exceção à regra que vigia até pouco tempo atrás na emissora: revelar a verdade dos bastidores do jornalismo, flagrando diálogos entre os profissionais durante o making of das reportagens, mostrando a cara de quem edita as matérias, humanizando um pouco o monstro do Jardim Botânico e dando vida a quem faz o canal, sem deixar de lado a informação jornalística.

Um número inédito da banda irlandesa U2 com direção segura e experiente de Jorge Espírito Santo, treinado ao longo de anos pela escola MTV, foi outra demonstração de como o poder e a estrutura da Globo podem ser bem utilizados.

Por fim, um apanhado geral do brilhante show do Buena Vista Social Club, com ênfase à vitalidade septuagenários Omara Portuondo e Ibrahim Ferrer fechou com chave de ouro a tese de que é possível ter audiência larga com qualidade na mesma medida.

Em tempo: esta coluna deveria ser inteira dedicada ao show do grupo cubano acima mencionado. Infelizmente, a assessoria de imprensa não assessorou a imprensa, e só o que podemos mencionar é o que vimos pela televisão.

PALAVRAS-CHAVE
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