por Alê Youssef

Ao focarmos no próprio umbigo, deixamos de participar da construção do país que sonhávamos e passamos longe da realização de objetivos coletivos

Para os quarentões que folheiam a Trip agora, uma provocação: somos uma geração bunda-mole.

Isso mesmo. Abrimos mão de nos preocupar com os rumos do país. Demos eco à demonização da política institucional, desviamos nossos melhores quadros públicos para o terceiro setor e deixamos a política para a turma da redemocratização, que aos poucos foi sendo substituída pelas bancadas dos interesses que lotearam o poder. Sobraram poucos daquela época e poucos novos e bons surgiram para enfrentar a degradação da nossa política.

Ao focarmos no próprio umbigo das nossas realizações pessoais, deixamos de participar da construção do país que sonhávamos e passamos longe da realização de objetivos coletivos. O individual prevaleceu e deu no que deu. Pior: para além do indivíduo, a geração privilegiada que teve acesso à boa educação e contato com o mundo exterior passou a se ver descolada do Brasil. É também uma crise de identidade. Tirando o que encontramos no Carnaval, que cada vez mais parece ser a única coisa que nos une, nossa turma passou a enxergar o brasileiro como o outro, não se colocando na condição de brasileiro.

Quantas vezes você que lê esta coluna não achou absurdo algum conhecido dizer que gostaria de se lançar candidato? Imediatamente o achou suspeito – afinal, qual seria a agenda oculta de quem em sã consciência quer entrar para a política? O discurso onipresente da geração bunda-mole sempre foi aquele que repetia que existem muitas formas de fazer política para além da política institucional. Não era necessário, portanto, “se sujar” na arena.

RENOVAÇÃO REAL

Hoje, quando o Brasil assiste à vaca indo para o brejo com o caos político e social estabelecido e impulsionado pelas inacreditáveis maracutaias que a turma do poder fez e faz – seja para manter o poder, seja para comprar iate, diamantes e ternos caros –, a geração acordou. Pipocam movimentos pela renovação política e começam a surgir projetos de estímulo à novas candidaturas para renovar e requalificar o congresso nacional. Eu mesmo fiz um programa de entrevistas na Mídia Ninja, provocando quadros que considero representativos, o Candidate-se.

É fundamental que aproveitemos esse lampejo geracional para que de fato consigamos construir as bases de uma renovação política real. Ela passa necessariamente pela consciência de que chegou a hora de a nossa geração bunda-mole ocupar o poder. Para isso, é fundamental que o umbigo seja deixado de lado, que as convergências em torno de uma agenda comum e boa para o país sejam construídas e que a geração esqueça a maldita disputa por protagonismo que tanto faz mal a movimentos que juntos poderiam mudar o Brasil.

Frente Favela Brasil, Agora, Acredito, Brasil 21, Quero Prévias, Nova Democracia, Renova Brasil, Bancada Ativista, Agência de Redes para Juventude, Construção, Ranking dos Políticos, uni-vos. A necessidade de mudança é o que nos une.

Créditos

Imagem principal: OSGEMEOS

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