COISAS DE PRIMEIRO MUNDO
Ela trocou as férias de inverno em alguma estação de esqui para se dedicar a uma comunidade carente do Rio de Janeiro
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Uma das principais herdeiras do grupo Rockefeller veio ao Brasil incógnita em plenos anos 70, auge da ditadura, e ficou durante meses trabalhando e vivendo junto à comunidade da favela de Vigário Geral.
Usando o sobrenome da mãe, a moça então com 17 anos, trocou as férias de inverno em alguma estação de esqui pela experiência incomparável de servir a uma população das mais desamparadas do planeta.
Hoje, mais de trinta anos depois, a senhora Rockefeller dirige uma ONG cuja principal função é acionar as fontes mais poderosas do mundo, para que dêem contribuições em dinheiro para financiar projetos e fundações sérias do terceiro mundo.
No Brasil, esta entidade mantém relações com grupos como Abrinq e Roda Viva.
Falar sobre e com o poder é fácil para quem nasceu à sombra de um dos mais conhecidos e festejados clãs de poderosos de todos os tempos. Para se ter uma idéia, o bisavô desta jovem senhora tinha patrimônio calculado em algo equivalente a algumas centenas de bilhões de dólares. Entre outras coisas, fundou o Chase Manhattan, do qual a família está até agora entre os principais acionistas.
Fui a Nova York durante o feriado entrevistar esta senhora, respeitadíssima na ONU, com trânsito livre junto aos principais líderes do mundo, incluindo dona Ruth e FHC. Com a maior simplicidade, ela me contou que resolveu trocar o sentimento de culpa de ter nascido riquíssima e rodeada de poder por todos os lados por algo que desse sentido à sua existência. Depois de anos de trabalho voluntário, percebeu que podia fazer algo ainda maior. Usar seu sobrenome, seu dinheiro, seu network de influências e a credibilidade de sua família para alavancar projetos sociais realizados por pessoas e organizações de terceiro mundo.
Aorta
O vigor da economia norte-americana já impressiona quando lido nos jornais, mas, materializado no seu epicentro, chega a assustar. Hotéis com ocupação média superior a 90%, lojas lotadas, restaurantes que pedem um mês de antecedência para reservas (tente jantar no Nobu sem ser amigo de De Niro, Pacino ou Woody Allen para ver que não é força de expressão). Em menos de duas horas, num leilão, a Christie’s vendeu 60 milhões. É quase impossível ver alguém nas ruas sem uma sacola de compras nas mãos. Quedas abissais da Nasdaq, a eleição traumática, nada parece arranhar o músculo cardíaco da economia mundial. Dizem que, antes do colapso, o coração trabalha em ritmo acelerado…
E por falar em ricos e em economia forte… A coisa pode não estar no mesmo nível por aqui, mas boa parte dos lugares de 1ª classe dos vôos, das suítes de luxo nos hotéis e das reservas nos melhores restaurantes tinham sobrenomes brasileiros. Mas não eram apenas as obras do artista plástico e fotógrafo Vik Muniz, a belíssima loja Language no Nolita, o espetáculo De La Guarda na Union Square, as ostras do Pastis ou a coleção da Prada na 5ª Avenida os assuntos ouvidos nas rodas de brasileiros poderosos. Bastava encostar nos grupos que perambulavam a bordo de seus sobretudos para ouvir qual o grande prazer dos brasileiros em NY: andar nas ruas sem guarda-costas e não ser assaltado e poder trafegar em carros sem blindagem, de vidro aberto a despeito do frio.
Coisas de Primeiro Mundo?
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