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Ciclo de energia

Empresa lança bicicleta ergométrica capaz de transformar força gerada por ciclista em energia elétrica

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Pode parecer maluquice, coisa das Organizações Tabajara.
Sempre me intrigou, porém, passar em frente às academias de ginástica e ver centenas de pessoas pedalando lado a lado, em bicicletas ergométricas. Uma ergométrica, de academia grande em São Paulo, fica funcionando o dia inteiro. E à noite.
O que me chamava a atenção não era a quantidade de gente que se prestava a suar numa sala fechada em cima de uma bicicleta que se recusa a andar. Jogar fora a energia produzida por essas pessoas é que sempre me pareceu um desperdício enorme. Sempre pensei nisso, em especial nos períodos do apagão, durante os quais, o assunto tornou-se recorrente e inevitável, e andávamos por aí apagando até os leds dos monitores e dos ‘no breaks’ de computadores.
Minha impressão de leigo, porém, era que, se ninguém havia pensado nisso, provavelmente deveria ser inviável coletar essa energia produzida pelos humanos em busca desenfreada pela boa forma.
Errado. Uma empresa do sul do país já requereu patente, e colocou no mercado, a primeira bicicleta ergométrica capaz de captar e armazenar a força gerada pelo ciclista, transformando-a em energia elétrica pura, através de um alternador, que alimenta duas baterias como as dos carros. O site da companhia é www.ergoeletro.com.br
Cada ergométrica, uma vez carregada pela força do usuário, é capaz de fornecer energia para manter uma TV de 20 polegadas funcionando por 8 horas, um computador portátil por 11 horas ou uma lâmpada comum de 40 watts por 23 horas.
O aparelho ainda é relativamente caro, mas quando se pensa no custo da energia produzida pelas hidrelétricas, no risco da energia nuclear, ou até em quanto ainda é necessário investir para reciclar nosso lixo, a idéia de popularizar o artefato começa a ficar atraente. Além disso, ao contrário de outros aparelhos, esse se paga depois de algum tempo.
Uma luz
O que aconteceria, por exemplo, se fossem entregues pelas grandes empresas socialmente engajadas dezenas de aparelhos desses, aos cuidados das associações de moradores de comunidades pobres. É besteira pensar que a população carente não pensa, não quer ou não tem tempo para fazer esporte. Há várias academias de ginástica e até escolas de surf na Rocinha por exemplo. Na periferia da zona sul de São Paulo, academias de boxe e musculação existem e são concorridas. Uma favela do Ceará (Titanzinho) produziu uma campeã (de nível mundial) de surf (Tita Tavares). Se essas ergométricas que fabricam energia elétrica estivessem lá, certamente não faltaria força para mover seus pedais, e garantir energia gratuita para um posto de saúde, uma escola, uma creche ou uma sala de convivência para os mais velhos.
É engraçado como menos de um ano depois dos apagões, ninguém mais fala nos problemas relacionados com a escassez de energia elétrica. Energia eólica, coleta de energia a partir da força do oceano são alternativas que vêm sendo cada vez mais consideradas e adotadas em outras partes do mundo.
O problema está aí. Bem claro.

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