Misto Quente – Charles Bukowski (L&PM Pocket, 318 págs, R$19,50)
Há um garoto novo na vizinhança. E a gente precisa saber qual é a dele. Se é da porrada ou se foge quando a chapa esquenta. Se ouve Van Morrison ou se gosta da Madona. De qualquer jeito, ele vai ter que se explicar. É isso que o velho Buk faz nesse livro, agora relançado em versão de bolso. Ele nos arremessa no seu quarteirão, com suas inseguranças de garoto, com seu pai tirano, com sua mãe omissa e com as primeiras promessas sexuais na mãe de um amigo que cruza as pernas perigosamente. Bukowski se entrega ao primeiro porre na adega de um brother. Bukowski nos deixa saudosos de nossos tempos de moleque. Há um garoto novo na vizinhança, do lado de fora do baile, olhando pela janela, com vergonha da própria imagem, e ele vai voltar pra casa sozinho essa noite. Se o seu pai ia te buscar, de Audi, na saída da escola, esqueça. Lê outra coisa. Esse é um livro chapa quente, se é que você me entende.
(Mário Bortolotto, dramaturgo e, daqui uns meses, diretor de cinema)
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
O plano do Google para uma internet sem cliques
-
Trip
Santos sempre foi caminho. Quando virou destino?
-
Trip
A magia de Salah e os muros invisíveis da Copa de 2026
-
Trip
São João da Thay: Thaynara OG usa o ecossistema da influência como vitrine para o interior do Maranhão
-
Trip
A revolução discreta da cannabis
-
Trip
Rir da própria desgraça para não pifar