CELSO PITTA E DEUS
Falei semana passada de forma ligeira sobre o 'up grade' visível na habitalidade do Rio de Janeiro
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Falei semana passada de forma ligeira sobre o ‘up grade’ visível na habitalidade do Rio de Janeiro. Não vivo naquela cidade e por isso, fico pouco à vontade para analisar esta eventual evolução. Tenho, porém, visitado a cidade a trabalho com freqüência razoável e a observação é inevitável. Sei que a oposição às administrações recentes acusa-as de privilegiar os privilegiados e de fazer política zona sul. Pela tradição brasileira, não duvido que seja verdade, mas vejamos alguns aspectos dignos de grifo: a limpeza da cidade melhorou sensivelmente. Há grandes recipientes cor de laranja com rodas que ficam colocados ao longo de toda a orla e vão sendo enchidos durante o dia pelos freqüentadores da praia. À noite, o trabalho de coleta é tremendamente facilitado, já que estes recipientes têm duas rodas grandes na parte de trás, o que permite que apenas um coletor desloque uma quantidade de lixo que seria impossível de ser carregada por um homem só. O balde gigante com rodas tem ainda uma espécie de engate que o conecta à caçamba do caminhão. Tudo o que o coletor tem de fazer é usar a alavanca natural para despejar o conteúdo no caminhão e devolver o recipiente vazio à praia.
Ao contrário do que podia se esperar, os recipientes não têm sido roubados.
XIXI PAGO
O antigo Tivoli Park, um parque de diversões na Lagoa que se notabilizou pela freqüência dos acidentes deu lugar a um parque chamado Tom Jobim. Ali, foi autorizada a instalação de quiosques que servem bebidas e refeições ao som de jazz, chorinho ou bossa nova, sempre executado por músicos ao vivo.
Houve o bom senso de manter uma boa distância entre cada quiosque e limitar o número de mesinhas de cada um. Assim, o ambiente mantém uma certa paz e calma mesmo nas agitadas noites de sábado. Resultado: lazer barato com uma vista de acalmar até o mais ansioso suicida.
Tanto neste parque quanto na orla da Barra da Tijuca e em vários outros pontos da cidade, foi resolvido também (ao menos em boa parte), o problema dos banheiros públicos. Agora, há banheiros públicos pagos. Custam 80 centavos, o preço de uma passagem de ônibus, mas além de gerar empregos, garantem um mínimo de dignidade à população. Sabonetes, papel higiênico e toalhas de mão voltam a ser vistos em ambientes mais limpos e decentes. Não consta que haja reclamações de cidadãos saudosos dos banheiros gratuitos destruídos, habitados por traficantes, sujos e fedorentos.
MEU DEUS
Os guarda-vidas foram equipados com postos de observação e pranchas ‘longboard’ para agilizar suas tarefas de salvamento. Flanelinhas foram treinados e transformados em guardadores uniformizados e cadastrados autorizados a cobrar 2 reais mediante recibo em certas áreas da cidade.
A prefeitura tem feito investimentos sérios em esporte patrocinando atletas, eventos e equipes das mais diversas modalidades. Surf, vôlei de praia, futebol, jiu jitsu, natação são algumas delas. Guias rebaixadas para deficientes são vistas a cada esquina em Copacabana e Ipanema. A linha amarela agilizou o trânsito e democratizou a praia.
Enquanto isso, em São Paulo, uma piada circula pelos corredores:
Celso Pitta teria subido prematuramente ao céu, de forma tão surpreendente, que não teve nem tempo de se desfazer do saquinho de lixo que portava. Resolveu então perguntar a Deus o que fazer com os dejetos. O todo-poderoso apontou para o pedestal de uma estátua em homenagem a São Pedro. O prefeito constrangido indagou: ‘Mas Deus, vou jogar lixo em São Pedro?’
– Você já sujou e detonou tanto São Paulo e agora vem com essa conversa? retrucou o onisciente.
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