BOA COMPANHIA
Até observadores menos interessados no assunto sabem que o mercado editorial brasileiro é bastante desenvolvido
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Até observadores menos interessados no assunto sabem que o mercado editorial brasileiro é bastante desenvolvido. A quantidade e o nível das publicações nacionais para muitos, chegam a ser superiores ao próprio patamar de sofisticações em que se encontram os diversos setores de atividades do país. Talvez seja uma análise um pouco precipitada. O Brasil tem os jornais, revistas e livros que quer e merece.
Uma área específica, de importância capital, é a que se refere a negócios, administração de empresas e dinheiro. Centrando foco estritamente nas revistas, encontramos muito esforço, gente trabalhando dia e noite, belas brochuras de papel brilhante, com fotografias bem tiradas, vasta gama de anunciantes e também, bom número de leitores. Sobra eficiência do ponto de vista industrial.
São brochuras bem cuidadas, impressas em papel de primeira, com cores vivas, diagramação conservadora, porém limpa e eficiente e dezenas de artigos e ensaios e entrevistas fartamente ilustrados. Infelizmente porém, nossas revistas de negócios, assim como a maioria das empresas deste país vivem uma adolescência tardia na qual performance parece ainda estar associada a conceitos mais que superados como capacidade instalada, resultados financeiros brutos, êxitos de curto prazo e, no campo pessoal, em planos de aposentadoria programada, maneiras mais lucrativas para investir suas economias, técnicas para conseguir suportar seus colegas de escritório ou o tão desejado aumento, de salário ou de benefícios, como vales-refeição ou planos de saúde.
Depois da fase de deslumbramento diante das novas tecnologias como os super computadores pessoais e muito especialmente a Internet, que teve na revista WIRED seu grande quadro negro, o mercado norte-americano, absolutamente apaixonado por negócios e possivelmente por isso ainda à frente de quase todos os mais volumosos e importantes do planeta, parece ter pulado para o próximo patamar, passando agora a estudar de que forma as tais tecnologias podem e devem ser utilizadas por seu criador e ao menos em princípio maior beneficiário, o homem. O porta-voz desta nova forma de compreensão do mundo dos negócios e, por analogia, do mundo ocidental chama-se FAST COMPANY, uma revista editada dez vezes por ano e que tem resumido a mais nova, lógica, harmoniosa e lucrativa forma de pensar e administrar negócios, serviços, empresas e principalmente gente.
Se fosse possível e necessário resumir em poucas palavras as principais diferenças entre a visão de mundo de FAST COMPANY e suas antecessoras, a forma poderia ser esta: fábricas, grandes empresas, dinheiro acumulado (ou capital, se preferirem), capacidade de investimento, futuro, pecúlio, taxas de juros, bandas cambiais, bolsa de Tóquoio, marca, NADA, NADA DISSO terá a menor importância se a sua vida e a das pessoas com quem você se relaciona profissional e principalmente pessoalmente for insuportável. FAST COMPANY não trabalha mais com a idéia de que happy hour ou férias sejam os únicos momentos de prazer reservados ao ser humano produtivo. Em seu ambiente, não há lugar para o velho papo ‘Tudo bem? Tudo certo, aquela correria de sempre, sem tempo pra nada, mas a gente vai tocando o barco.’
F.C. é o dossiê impresso daqueles que constataram a velha máxima da sabedoria popular que há séculos informa: ‘CAIXÃO NÃO TEM GAVETA’ ou ainda ‘A VIDA É UMA VIAGEM CURTA, VÁ DE PRIMEIRA CLASSE’. Neste ambiente, vocação, lazer, qualidade de vida, momento presente, tecnologia a serviço dos sonhos, convivem em harmonia com lucro, concorrência, futuro e liderança.
Uma rápida olhada na edição que ocupa as prateleiras este mês nos EUA, dá a clara dimensão do novo ambiente por onde transitam os líderes que farão a transição única, suave e verdadeiramente relevante para o tão explorado próximo milênio.
A reportagem de capa, aliás, já cumpre de forma exemplar este papel. Trata de analisar as entranhas da S.A.S. INSTITUTE INC., uma das mais pujantes empresas de software da América. Em letras maiores, acompanhando fotos de sujeitos sorridentes com caras ótimas, são realçadas algumas das políticas da empresa: semana de 35 horas de trabalho. Piano ao vivo na lanchonete. Café, chá, sucos e refrigerantes à disposição de graça ilimitadamente. Uma semana de férias remuneradas entre Natal e Ano Novo. Academia de ginástica de 36000 pés quadrados incluindo de sinuca e pingue-pongue a quadras de basquete, salas de musculação completas, salas de danças e academia de yoga. Duas creches internas e uma externa. Uma clínica full time com seis enfermeiras e dois médicos.
Custo zero para assistência médica aos funcionários. Uniformes lavados e passados durante a noite sem custo para os funcionários, vestimenta livre à cargo dos funcionários. Sessões de massagem disponíveis em vários dias por semana. Todos os benefícios extensivos aos companheiros, não importando a orientação sexual. Dispensa por motivo de saúde ilimitada sem exigência de comprovação. Na lista de conquistas do fundador Jim Goodnight (é este o nome de verdade), bem depois de coisas como baixíssimos turnover de funcionários, e ambiente de total harmonia, vem detalhes como 750 milhões de faturamento em 97 ( o dobro do registrado em 92) e 5.400 funcionários em todo o mundo. A maioria deles nem pensa na palavra aposentadoria e nem sofre de um dos maiores males que assolam empresas deste porte nos dias de hoje: O MEDO DE PERDER O EMPREGO.
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