Por Marcos Candido
em 3 de março de 2016
Marlon Parente tem 23 anos, mora em Recife, é publicitário e bicha. “Desde que assumi o termo, ‘bicha’ deixou de ser uma agressão”, explica. Hoje, ele empregou a palavra em uma nova função.
Com 10 reais e 100 dias de produção, o publicitário se tornou diretor de Bicha, o documentário. Na companhia de seis amigos e uma câmera emprestada, Marlon captou relatos sobre aceitação, homofobia, atritos familiares e escolares que envolvem a vida intranquila de um homem homossexual (ou bicha, como prefere).
No vídeo, há comentários sobre inadequação a religiões que foram impostas, a relatos sobre isolamento e tentativas de suicídio. Antes de expor a orientação sexual para familiares e colegas, os protagonistas de Bichas passaram anos fingindo ser outras pessoas – ou a se fecharem ao mundo.
No ensino médio, Marlon era um adolescente reservado, com pouca aptidão ao futebol jogado pelos colegas – tarefa que funcionava à época como requisito para ser “homem”. Com o passar dos anos, surgiu a necessidade de ser um cara ‘sério’, vestir um determinado tipo de roupa, ‘falar grosso’ e traçar um caminho para ser um futuro pai de família. Nenhum desses quesitos foram preenchidos por Marlon ou algum de seus amigos.
A identidade da bicha já existe
“A masculinidade é muito frágil”, confessa o diretor. Por outro lado, ser bicha o integrou a uma comunidade sólida, que não desmorona com a quebra de regras – e faz dessa diversidade uma característica. “A identidade da bicha já existe, o que fazemos é dizer: ‘É assim que você acha que devemos ser chamados? Então vai ser assim'”, diz o diretor,
Com uma semana no ar, o documentário possui mais de 300 mil visualizações, capas de jornais e mensagens íntimas, recebidas de bichas que partilham do mesmo elogio em todo o Brasil.
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