Por Jonas Mourilhe
Durante minha vida de estudante, sempre gostava quando, ao virar a página do livro de história, lia o título do próximo capítulo: Guerra. Talvez por influência de Hollywood, talvez porque eram os documentários menos monótonos, ou simplesmente por pura imaturidade… O fato é que esse assunto sempre despertou minha atenção. Ficava imaginando aqueles soldados correndo, disparando suas armas, se escondendo no meio do mato… Cenas dignas de um Oscar!
Como é que a gente sabe que uma guerra começou? Em qual momento podemos falar: Estamos em guerra? Sempre que fazia essas indagações, as respostas que obtinha eram as mesmas: ‘A guerra decorre de um processo’; ‘Só há guerra quando os países assinam uma declaração’; ou ainda, ‘Sempre há um estopim que marca a decisão de um país atacar o outro’. Parecia até que os professores já tinham uma espécie de roteiro para explicar as guerras. Pois que me expliquem esta então!
Por mais que se diga que Bush foi eleito (?) pela indústria bélica; que essa guerra é por causa do petróleo, da desvalorização do dólar, para combater a tirania de Saddam e outras ‘cositas’ mais, porém até agora não vi o tal ‘estopim’ da guerra. O tão aguardado ato que marca o início de um conflito não aconteceu… Os ataques simplesmente começaram e ponto.
Tudo começou com uma sirene… existe forma mais macabra de se começar uma guerra? Num momento você está no sofá de casa, confortável, assistindo ao jogo de futebol e de repente entra uma imagem: uma cidade, à noite, tudo normal… uma sirene tocando por algum tempo e, ao piscar os olhos, pronto. Você está assistindo à guerra. Está tudo lá: o selo de ‘Ao Vivo’; ‘Exclusivo’; as tarjas da CNN… enfim, você é testemunha ocular do início do fim.
Por mais redundante que possa parecer, não se combate um tirano com a tirania de outro tirano! Que culpa teria aquela criança que vi chorando num campo de refugiados, ou aquela senhora que agora está largada num hospital sem sua família? Não bastasse elas viverem sob um regime cruel e nada democrático, ainda têm que agüentar a terrível sirene e quando menos se espera uma bomba em suas cabeças… e assim fico eu, aqui, tentando entender tudo isso, ouvindo entrevistas de professores, doutores, filósofos… mas nada adianta! É como diz a música: ‘Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada. Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada’.
Só espero que o capítulo Guerras do livro de história não seja o maior de todos. Espero que algum dia surja um novo Gandhi… enquanto isso não acontece, parece que ouço alguém sussurrar no meu ouvido: Bem-vindo ao caos! Estou ouvindo uma sirene… ainda bem que é só a ambulância que passa na rua.
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