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BANCO QUEBRADO NA INTERNET

Silenciosamente, alguns empreendedores mostram que é possível ser feliz na web

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Enquanto, em meio a uma ressaca absurda dos riders da corrida do ouro da Internet, são discutidas à exaustão as formas de se salvar os negócios que devoraram milhões na rede, silenciosamente, alguns empreendedores se articulam e dão mostras significativas de que é possível ser feliz na web.
Quem quiser verificar pode ir ao site www.motosclassicas70.com.br. Há no Brasil (assim como no resto do mundo) uma multidão de admiradores incondicionais do desenho, da performance e das lembranças que andam nas garupas das incríveis motocicletas da década de setenta.
Aparentemente, foi nessa época que a indústria do setor atingiu um patamar novo em sua curva de evolução. A tecnologia, que à luz do que temos hoje parece precária, começava a dar grandes passos, buscando motores com melhor torque, velocidade final e desempenho, os modelos para fora de estrada começavam a despontar, os desenhistas se arrojavam mais e mais a cada nova safra. Muito especialmente no Brasil, a importação ainda permitida, fez com que recebêssemos parte do que havia de melhor no mundo, o que posteriormente nos foi impedido pela lei, fazendo com que as ‘importadas’ que rodavam livres pelo País virassem verdadeiros símbolos de acesso ao que era negado à maioria dos mortais.
Conseguir uma ‘quarta via’, o documento que autorizava a moto importada a rodar no Brasil, era como obter uma carta de alforria para os motoqueiros da época para os quais Adú Celso, Roberto Boetcher, Nivanor Bernardi, Tucano, Pirata, Mário Loco, Scatena, Scateninha, Mauricio Toldi e tantos outros eram nomes que despertavam tanta ou até mais admiração do que Guga e Ronaldinho provocam na molecada de hoje.
Mas, nostalgia de lado, de volta ao mundo ponto com, e à, já velha, nova economia, o que vemos no site mencionado é uma série de conceitos surrados e esgarçados durante o período agora chamado de ‘corrida do ouro’ sendo experimentados de forma equilibrada, rentável e consistente, sem euforias e atropelos.
Quantas e quantas vezes não fomos obrigados a ouvir nas incontáveis reportagens e conversas sobre a explosão da ‘nova economia’ discursos sobre conceitos de ‘comunidades’, ‘e-commerce’, ‘one to one marketing’, ‘marketing de relacionamento’ etc.
Sem fazer estardalhaços ou mandar releases infestando as redações, sites como o mencionado, ao contrário dos projetos e ‘start-ups’ da primeira fase, tem deixado a conversa de lado e posto mãos à obra, com resultados dignos de nota.
Não é preciso nem mesmo um grande investimento em divulgação. O projeto se vale simplesmente da força magnética que já existe entre os apaixonados por um mesmo assunto, neste caso, as motocicletas com mais de 20 anos de idade.
Ao contrário dos projetos de Internet da primeira frase, falar em ‘Banco quebrado’ neste ambiente não provoca pânico. Onde mais se poderia buscar, afinal, um banco de RD350 em bom estado? Quantas lojas e vendedores mal treinados não teria de enfrentar o infeliz que buscasse um escapamento ‘quatro em um’ para sua Honda 750 four?
Em que plagas alguém estaria vendendo uma Yamaha Mini Enduro tratada a pão de ló? E os manuais? O site tem um serviço que fornece xerox desses documentos de valor inestimável e que podem significar a diferença entre a recuperação total de uma velha companheira ou seu falecimento inexorável.
O endereço chega ao cúmulo de manter convênio com um sujeito que passou a vida desenvolvendo a arte de desenhar réplicas de emblemas e adesivos de tanque de marcas tão antigas e fora de catálogo quanto Zundapp.
Camisetas com o logotipo da Lambreta brasileira, Manuais da Indian, a data do próximo encontro entre doentes pelo assunto ou a simples foto da relíquia adorada, invariavelmente reluzente, e quase sempre com o filho mais novo do proprietário ao lado, fazem a festa de quem se identifica com o assunto.
Neste ambiente, fecham-se desde simples compras de camisetas e bonés das marcas preferidas até vendas de motocicletas de grande porte, garantindo a receita dos aficionados, responsáveis não só por abastecer de informações apuradíssimas a sessão ‘História’ do site, como por responder pessoalmente a quem faz um simples pedido de dica sobre onde achar o espelho esquerdo da setentinha da Honda.
Uma experiência incrível na Internet ou, como definiriam os investidores dot.com, hoje mais raros que o mico Leão Dourado, custo de start up baixo, linha de receita clara baseada em e-commerce, fidelização automática do usuário, potencial de receita de publicidade, e ainda com comercialização de database, upside garantido.
Um belíssimo ‘Business plan’ ou, se preferir, um site do cacete!

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