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AUSCHWITZ NUNCA MAIS

Escola é um pé no saco. Nas próximas semanas, vamos ter uma legião de garotos e garotas chegando às cidades com o ponteiro do medidor de felicidade no talo

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Escola é um pé no saco. Nas próximas semanas, vamos ter uma legião de garotos e garotas chegando às cidades com o ponteiro do medidor de felicidade no talo. À medida que retornam à escola, o ponteiro do ‘felicitômetro’ vai baixando. Após um mês, fica tudo meio cinza e o ponteiro só não desce mais porque, em idade escolar, o ser humano mantém uma felicidade mínima obrigatória.
A esmagadora maioria das escolas funciona como mini-campo de concentração. Hierarquia rígida, salas fechadas, banheiro só com autorização, guardas espalhados e o pior meio de opressão: conversa chata sobre assuntos chatos. O que torna as férias um hiato de plenitude não é, como muita gente pensa, a vagabundagem e o ócio. Nas férias, tudo é permitido: observar formigas no jardim, furar as ondas do mar, dormir na hora em que dá vontade, dar um gás na bicicleta ou na filha da vizinha. O importante é o exercício da vontade, buscando prazer e realização. Não por acaso, são desses períodos as mais belas fotos dos álbuns de família. As crianças estão sempre com caras boas, pele e olhos brilhando.
O educador polonês Janusz Korsczak propunha liberdade total. O ‘Dr. Maluco’, como era conhecido em Varsóvia, deixava tudo na mão da galera. Literalmente. Um belo dia, por exemplo, a discussão era sobre masturbação. A garotada teria que decidir se a dita cuja deveria ficar restrita aos banheiros ou poderia ser praticada em público.
Flávio Di Giorgio durante décadas despertou o gosto pelo pensamento em milhares de jovens que passavam pelo colégio Santa Cruz. Suas aulas geralmente começavam com um singelo ‘sobre o que vocês querem falar hoje?’.
Se você quer argumentos mais técnicos, tome esta: a revista semanal americana US News & Report lançou há alguns anos uma edição especial com matéria de capa propondo o que seria a nova escola americana. Ensinar menos matérias de maneira mais intensiva e interessante; fazer teste de aptidão para avaliar a capacidade e preferências dos alunos; concentrar o fogo nesses assuntos.
Talvez a dica mais importante: porque os professores são os únicos profissionais que não ganham promoções, prêmios e aumentos pela competência e assiduidade? Por que os clientes, os estudantes não são ouvidos para determinar quais os professores mais eficientes? Isto hoje soa como heresia, mas pode ser a chave da cadeia de chatices em que se transformaram 90% das escolas. Auschwitz School nunca mais.

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