por Pedro de Luna

Letrux, Pitty, Russo Passapusso e outros artistas dividem suas memórias sobre o festival Porão do Rock, que completa 20 anos de histórias

São quase 500 bandas, sendo 35 internacionais, em 20 anos de Porão do Rock, um dos mais bem-sucedidos festivais independentes de rock do Brasil, marcado neste ano para os dias 16 e 17 de agosto, em Brasília.

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As duas décadas de história estão sendo celebradas com a publicação de Histórias do Porão (Ilustre Editora). No livro, conto a história do projeto através de fotos (algumas delas selecionadas para este texto) de todas as edições e conversas com Gustavo Sá, diretor do festival, e tantas outras pessoas responsáveis por fazer tudo acontecer, atrás dos palcos.

Aqui, a convite da Trip, faço o caminho inverso e relembro a importância do Porão a partir das memórias de artistas que passaram pelo palco do tradicional evento de Brasília.

Pitty tocou no festival pela primeira vez em 2003, momento em que sua carreira começava a decolar. “As bandas almejavam tocar no Porão. Então, quando gravei o meu primeiro disco, Admirável Chip Novo, e pude tocar lá, foi uma consagração. Era como se eu tivesse juntado toda a história da minha vida no underground e culminado ali, naquele momento, com todas aquelas pessoas que já tinham acesso ao meu trabalho. Uma vida inteira de banda pra chegar ali naquele palco.”

Dengue, baxista da Nação Zumbi, presente em cinco edições, a última em 2018, tem lembranças afetivas sobre as diferentes vezes em que desfrutou dos bastidores do festival. “O camarim da Nação no Porão é uma festa à parte, é um porão dentro do porão, onde todo mundo se encontra e toma uma cerveja com a gente, só os de casa. Nos sentimos muito à vontade, é uma bagaceira [risos]. Nós temos muita propriedade para ir e tocar. Pra nós, é um carnaval do rock e uma alegria imensa.”

Leticia Novaes, atualmente à frente do projeto Letrux, estreou no festival apenas no ano passado. “Foi uma honra tocar antes do Barão Vermelho, banda que marcou minha vida, foi tudo muito foda! Depois do show, o produtor deles foi ao nosso camarim para me dar os parabéns e me levou no camarim deles, onde todos falaram comigo. Isso foi importante para mim.”

Badauí, o vocalista do CPM 22, é outro que tem memórias fortes ligadas ao Porão“Lembro do Tom Capone [produtor musical que faleceu em 2004, em um acidente de moto] na frente do nosso palco, curtindo o show. Depois ele foi ao camarim perguntando quanto tempo ainda tínhamos de contrato, que ele queria trabalhar conosco e tal. Ficamos muito animados porque estávamos indo pro último disco na gravadora em que estávamos na época.”

Rodrigo Lima, vocalista da banda Dead Fish, já esteve em três edições e coleciona boas recordações do público. “A gente levou muito tempo pra chegar no Porão do Rock, o que rolou apenas em 2005, após assinar com a gravadora Deck Disc. Na segunda vez, em 2011, mesmo tocando depois de um longo show dos Raimundos, o nosso público ficou até o final, tipo quatro da manhã. E da última, em 2013, rasgaram a minha camiseta. Eu quis ficar mais perto do público e fui pra galera. O show estava insano, maluco. Tem uma foto em que eu estou voltando todo rasgado, foi demais.”

Russo Passapusso e Roberto Barreto, integrantes do Baiana System, debutaram em 2017. O guitarrista, Beto, destaca que o Porão “foi um dos primeiros festivais independentes e de resistência, uma referência para o Brasil todo, tanto para grupos consagrados quanto para bandas novas. Quando a gente tocou pela primeira vez, foi uma honra.” Já Russo, vocalista, tem na memória a importância da apresentação na trajetória da banda. “Foi um momento em que o Baiana System estava em transição em relação a linguagem e atitude. E nesse show isso aflorou muito forte. Foi ali que a gente conseguiu carimbar mais esse tipo de mensagem.”

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Bianca Jhordão, vocalista do Leela, tocou duas vezes com a sua banda, mas da primeira vez ela não esquece. “Em 2002, lembro que fizemos um show curto e intenso. O Brasil havia vencido a Copa do Mundo de Futebol pela manhã e rolou um clima de festa bem bacana. Naquele momento, o Leela ainda não havia lançado nenhum disco, somente CDs demo. Esse show foi um dos que nos ajudou a despontar e conseguir um contrato para gravação do nosso primeiro disco.”

Canisso, baixista, tocou sete vezes com os Raimundos, sente uma ligação forte com o festival, mesmo estando entre os artistas que já eram famosos quando o Porão começou. E para quem, como ele, é da cena de Brasília, tem sempre um valor especial. “A nossa história e trajetória se confunde com a do próprio festival. Mas uma que me marcou foi na comemoração de 20 anos do nosso segundo disco, Lavô Tá Novo, em 2015. Me impressionou muito pelo tamanho e pelo público presente, que nos acolheu e acompanhou cantando todas as músicas. Apesar da magnitude do evento, eu sempre me sinto como se estivesse tocando no quintal de casa, me transporto pros primórdios de nossa carreira. Esta é a melhor recompensa para um artista: se sentir acolhido e prestigiado em sua própria cidade.”

Cris Botarelli é tecladista e vocalista do Far From Alaska, que estreou no Porão em 2014.  Na segunda vez, em 2016, manteve a mesma boa impressão dos brasilienses sobre o público. “Estava uma chuva daquelas e o público estava longe do palco tentando não se molhar. Aí, quando demos o primeiro acorde, a galera chegou junto, debaixo de chuva mesmo, e a gente sentiu que a energia do festival, com toda sua história, é brutal.”

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