Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Sábado encontrei um amigo que foi viver na Europa há um bom tempo. A cada ano ou ano e meio vem ao Brasil rever amigos e família e passa uma semana por aqui. Sujeito observador e ansioso por natureza, é muito curiosos e divertido acompanhar sua leitura das mudanças do país naquele período. O melhor de tudo é que se trata de um olhar híbrido entre o do turista estrangeiro e o de um brasileiro qualquer que teria ido dormir num dia e acordado quatrocentos e tantas luas depois. A experiência lembra um pouco a coluna ARC da revista Veja que relata as observações de um marciano diante do caos brasileiro. A diferença é que meu amigo tem graça. Uma das coisas que o perturbam por exemplo, é nossa capacidade de realizar ‘semanas da alcachofra’. Diz ele que toda vez que vem ao Brasil, abre os jornais e dá de cara com chefs gordos e famosos dizendo que resolveram inovar aproveitando a safra de alcachofra e lançando dezenas de peripécias em torno dos fundos desta leguminácea.
Realmente, entre fundos de alcachofra, St. Peters e linguados, nossa mídia refestela-se e a classe improdutiva enche o bucho.
Chamou-lhe a atenção também, o lançamento do mega parque de diversões no interior do Estado. Quanto aos brinquedos em si, nenhuma observação especial. O que o intrigou especialmente foi que além de toda mídia repetir à exaustão a mesma ‘notícia’, deliciou-se em martelar e festejar o fato de que o tal parque criou seu próprio idioma com direito a dicionário prefaciado pelo incrível professor Pasquale, a Tiazinha da última flor do Lácio. Palaz di Governi é Palácio do Governo, Giranda Mundi é roda gigante, Aribabiba quer dizer viva com alegria, repetia o pobre visitante, como uma espécie de José de Anchieta pós-moderno. É claro que o exercício desmembrou-se na criação de impropérios e palavrões para os dias de calor infernal, filas e brinquedos quebrados que estão por vir: desgraciati, Filidipiti, Capri Safadi são algumas sugestões do auto exilado. Ao terminar seu glossário paralelo, o sujeito deixou registrado suas saudades dos tempos em que o máximo do neologismo a que se permitiam os criadores de parques de diversões, eram os nomes de seus empreendimentos.
Vasconcelândia aliás, no seu entender, jamais havia sido superado em sonoridade e eficiência, na medida em que associava imediatamente o nome da obra ao do criador, o grande José de Vasconcellos.
A esta altura, o visitante já deve estar a salvo em seu apartamento londrino, mas, se Deus quiser, daqui a um ano e meio tem mais.
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