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A saga do bom moço

Enquanto a crítica armazena munição para fuzilar o Coldplay, o grupo continua sua batalha rumo ao topo da música pop

A saga do bom moço

Por Redação

em 17 de junho de 2008

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POR CIRILO DIAS

Ano 2000, algumas bandas davam sinal de que o futuro da música pop ainda tinha salvação. Em um ambiente dominado por Britney Spears e N´Sync, a única esperança para o cenário era o Travis, com seu brit pop açucarado beirando o meloso.
Enquanto o grupo alardeava aos quatro cantos o hit “Why Does It Always Rain on Me?”, surgia um bom moço, de olhos claros, magrinho, correndo numa praia cinza proclamando ao mundo que tudo poderia ser mais, hmmm, amarelo!
Cópia descarada do Travis, som de menininha, trilha sonora de novela, esses e outros adjetivos não tão nobres caíram nas costas do Coldplay, que além disso ainda foi obrigado a carregar o fardo do “hit do primeiro disco” aliado à imagem de bom moço de Chris Martin.
Oito anos se passaram, outros discos foram lançados, e mais alguns elementos vieram pesar sobre as costas do líder do grupo britânico: pretensão de ser maiores que o U2, casamento com a insossa Gwyneth Paltrow e alguns chiliques em público, como, por exemplo, mandar a platéia parar de bater palmas durante uma apresentação, pois tiraria a concentração de Martin.
Todos esses pesos extras foram criados um após o outro para tentar de alguma maneira desqualificar a trajetória de sucesso do Coldplay, afinal o mínimo deslize de um bom moço é o suficiente para ser eleito à crucificação, e nem mesmo outros hits consistentes como “Clocks” e “I my Place” (A Rush of Blood to the Head, 2002) são capazes de evitar isso.
Mas o líder do grupo, esperto como só, mostrou àqueles que tanto o criticavam como repaginar e homenagear o cultuado Kraftwerk com alguns acordes de guitarras em “Speedy of Sound”, tema de abertura para o fenomenal X&Y (2005).
Pobre Martin, quando estava conseguindo o respeito geral, solta uma prévia de como se chamaria sua nova obra, Viva la Vida. O suficiente para outra malhação coletiva, e ainda uma comparação com o Viva la Vida Loca, de Rick Martin.
O grupo, alheio e se divertindo com toda essa história, libera de uma vez, todo o disco no MySpace. Ouvidos em polvorosa, uso inteligente da internet para se promover (viu Metallica? Aprende como faz!) e mais uma vez um disco primoroso, com várias faixas candidatas a hits como “Lost”, “42”, “Lovers in Japan” e “Viva la Vida”.
Com produção de Brian Eno (Joshua Tree, U2), Viva la Vida, Death and All His Friends, ainda mostra o experimentalismo da banda em “Cemeteries of London”, e trilhas sonoras dignamente pops e bem-feitas como  wwis M“Yes” e “Chinese Sleep Chant”. Enquanto isso, o single Violet Hill foi lançado para ir preparando o ouvido de críticos e fãs, para um segundo semestre regado a muito Coldplay.
Chris Martin não deixou de dar seus chiliques, e muito menos de continuar reforçando sua imagem de bom moço, e quanto mais munição a crítica armazena para um fuzilamento, mais o grupo continua sua batalha para se tornar grandiosamente pop e rock como o U2.

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