A mensagem é o meio

por Ronaldo Lemos
Trip #177

Quem faz rock independente utiliza o MySpace, já a música de periferia prefere o Youtube

Quem faz rock independente utiliza o MySpace como uma das suas principais formas de divulgação. Já o YouTube se transformou na grande plataforma de divulgação da música de periferia brasileira

A máxima de Marshall McLuhan de que o “meio é a mensagem” continua mais válida e atual do que nunca, mesmo tendo sido concebida em 1964. No entanto, é curioso dar uma olhada nas possibilidades do seu reverso: como um determinado tipo de conteúdo acaba se adaptando (e, muitas vezes, se condicionando) às mídias à sua volta.

Diferentemente dos anos 60, o número de mídias é cada vez mais plural, simultâneo e crescente. A internet em si é uma conjugação de mídias diferentes. A todo momento surge uma nova mídia dentro da rede. Usar um e-mail é muito diferente de postar um vídeo no YouTube, escrever no Twitter, compartilhar fotos no Flickr ou fazer uma videochamada pelo Skype. Cada uma dessas formas de comunicação possui uma dinâmica própria e produz um impacto social distinto.

Imune ao rapa
No entanto, vale notar como determinados tipos de conteúdo gravitam em torno de certas mídias e não de outras. Por exemplo, é comum ver DVDs de séries de televisão americanas (como Lost) sendo vendidos em camelôs nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Paralelamente, seus episódios são compartilhados em redes peer-to-peer. É um tipo de conteúdo que circula bem tanto na “mídia” das ruas, por mais ilegal que ela seja, quanto na internet. Mas raramente alguém encontra capítulos de novelas, por mais populares que sejam, à venda nas ruas ou compartilhados em redes p2p. Uma das razões para isso é que a “mensagem” contida na novela concretiza-se no tempo presente. Existe um valor intrínseco de assistir ao que está acontecendo naquele capítulo, em tempo real e com milhões de outras pessoas, até para poder comentar tudo no dia seguinte. Por conta disso, sua mídia por excelência ainda é a televisão.

Algo semelhante ocorre com os nichos musicais. Dá para dizer que cada estilo traz embutido em si uma mídia específica, em torno da qual se adapta melhor – e, por consequência, um modelo de negócio distinto também. Quem faz rock independente utiliza o MySpace como uma das suas principais formas de divulgação. Já a maior parte dos que fazem funk carioca em alguma periferia brasileira – há muito tempo o gênero deixou de ser só carioca – não está no MySpace: prefere usar as comunidades do Orkut, apontando links para outros sites onde as músicas podem ser encontradas, o YouTube, que se transformou em uma grande plataforma de divulgação da música de periferia no Brasil, ou o Flogão, uma alternativa ao Flickr e ao Fotolog.

Nessa mesma linha, lojas virtuais especializadas em música eletrônica e DJ-sets, como o Beatport, estão bombando economicamente justamente porque têm um foco específico nesse gênero. Enquanto isso, a grande maioria dos sites “genéricos”, que tentam atender ao gosto geral, luta para se manter viável financeiramente, atraindo poucos resultados comerciais relevantes. Obviamente, o iTunes é uma exceção – mas, mesmo ele, é melhor para alguns estilos de música (pop e rock) do que para outros enquanto mídia.

Assim, uma pergunta fundamental a ser feita no lançamento de qualquer conteúdo é: “Em qual(is) mídia(s) ele se adapta melhor?”. Muitas iniciativas na internet e fora dela falharam por inadequação do conteúdo à mídia em que ele foi divulgado. Produtores de séries nos Estados Unidos já perceberam isso e estão divulgando seus trabalhos cada vez mais online, em sites como o Hulu. McLuhan continua certo, mas também é fundamental entender qual mensagem gravita em torno de cada meio.


*RONALDO LEMOS, 32, é diretor do Centro de Tecnologia da FGV-RJ e um dos fundadores do site www.overmundo.com.br. Seu e-mail é rlemos@trip.com.br

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