por Fernando Poffo

O surf gera uma grande quantidade de resíduos na fabricação de suas pranchas e ainda são raras as iniciativas visando reciclar este material

Não é raro vermos surfistas em campanhas e mais campanhas de limpezas de praia. A conexão do surfista com o mar, mágica mesmo em tempos de ondas artificiais, não se transforma numa relação sem danos. A matéria prima do surf, a prancha, traz em si o grande vilão dos oceanos, o plástico. A maioria absoluta das pranchas do mercado mundial (e todas as que são usadas por profissionais) é feita por plásticos como o poliestireno expandido (EPS ou Isopor) ou o poliuretano (PU) — ambos materiais 100% recicláveis, embora seja raríssimo que esse trabalho seja feito com os resíduos em fábricas de pranchas. O problema é que o isopor é leve e grande, dificultando o interesse de catadores.

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"O desperdício nas fábricas de pranchas de surfe é absurdo. Mais de 50% da matéria prima é desperdiçada", conta o surfista Paulo Eduardo Antunes Grijó, que é engenheiro ambiental e coordena o projeto Marbras et Mundi, cuja proposta é diminuir o descarte errado e ampliar a reciclagem dos resíduos gerados na fabricação de pranchas.

A questão se agravou nos últimos 50 anos, quando as pranchas passaram a ser feitas com o plástico. Mas a questão parece não incomodar os surfistas, que seguem renovando o quiver (seu conjunto de pranchas) sem se preocupar se o shaper faz ou não um descarte responsável dos materiais que utiliza. E, se ainda é difícil encontrar muitas opções para o descarte, é possível de qualquer forma separar o material e levá-lo a uma cooperativa. Faltam iniciativas para lidar com grandes volumes, mas já é possível encontrar iniciativas em escala industrial.

Uma empresa que criou um projeto específico para este este problema é a Indústria Santa Luzia, que tem como embaixador global o top do circuito mundial Willian Cardoso e fez parcerias com shapers em diferentes estados — principalmente de Santa Catarina —, incluindo Alexandre Snapy, que faz as pranchas do Willian. A empresa retira os resíduos da fabricação das pranchas para produzir rodapés e materiais de construção. E fazem o mesmo com os resíduos na fabricação automotiva e de eletrodomésticos. Assim, a empresa estima ter reciclado mais de 600 toneladas do material. O projeto da Santa Luzia teve início em 2002, quando abdicou da madeira como matéria-prima principal, substituindo-a em 98% pelo reaproveitamento de plásticos como EPS e PU. Iniciativa que encareceu seu processo, mas não foi abandonada.

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Segundo estudo da WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia.

O Brasil é o quarto país que mais produz lixo plástico no mundo, segundo dados do Banco Mundial. São 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. Desse total, apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas.

O número poderia ser maior se todos nós passássemos a inserir o isopor na coleta seletiva e teria um bom ganho se cada shaper se conscientizasse. A reportagem da Trip ligou para uma tradicional fabricante paulista e ouviu que nada é feito como resíduo no local. “Ah, o material da prancha é químico, tóxico, não serve mais pra nada”, disse o shaper, totalmente equivocado.

É necessário que o shapers entendam o processo para essa situação melhorar. “Se cada um fizer um pouquinho, o resultado pode ser legal”, pede o surfista Willian Cardoso, que acredita ser urgente fazermos algo para além das ações sazonais de limpezas de praias.

A maior redução do impacto no mercado do surfe deve vir na produção e com destinação à reciclagem, mas também dá para ir além e reaproveitar pranchas já usadas, velhas, ou quebradas. "A criatividade é infinita! Tecnicamente falando, podem ser pulverizadas e empregadas como carga em diversos processos industriais de produtos fabricados em larga escala, como piscinas, mantas asfálticas, artefatos de concreto, piscinas e caixas d’água de fibra de vidro, entre muitos outros", diz Grijó, apontando ainda saídas artísticas e esportivas para as pranchas descartadas. “São materiais riquíssimos, que podem ser transformados em belas obras de arte, manufatura de tabuletas, painéis, móveis, pranchas de bodysurf, raquetes de frescobol, shapes de skate, bancadas, prateleiras”, indica o ambientalista, mostrando que o mercado de surfe pode contribuir muito mais do que tem feito para preservar o ambiente que tão bem o acolhe, o mar.

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