Conheça os homenageados do Trip Transformadores 20/21

por Redação

O prêmio joga luz na história de pessoas que fazem grande diferença positiva no mundo e nos ajudam a enxergar os novos caminhos e aprendizados trazidos pela pandemia

Há 14 anos, o Trip Transformadores incentiva uma nova maneira de ser e agir ao homenagear pessoas que ajudam a promover o avanço do coletivo e do outro com seu trabalho, ideias e iniciativas de grande impacto ou originalidade. Um ano de tantos desafios e transformações como o que vivemos não poderia terminar sem antes jogar luz na história de quem nos inspira e faz a diferença. Quais lições ficarão de tudo isso? Que mundo é esse que podemos construir?

Conheça os homenageados do prêmio Trip Transformadores 20/21, que, assim como nós, acreditam que só vai ficar bom de verdade quando estiver bom para todo mundo.

Ailton Krenak

Este ano, todos pararam para ouvir Ailton Krenak. A voz do líder indígena, que há décadas alerta para a destruição do planeta em nome do desenvolvimento, nunca fez tanto sentido. Uma das figuras mais importantes na defesa do meio ambiente, o pensador e escritor teve seu livro, Ideias para Adiar o Fim do Mundo, entre os mais vendidos de 2020. “Nós estamos vivendo um momento tão desconhecido que tirar qualquer conclusão sobre o presente ou o futuro é como se fosse um salto no escuro”, diz. “Se eu pudesse inspirar uma atitude global seria: pare e sonhe. Se nós tivermos coragem para sonhar é porque acreditamos que existem mundos, possibilidades". 

Ele não se considera otimista – “se você entrar nessa do otimismo o amanhã já foi para o mercado”, mas acredita que a humanidade ainda tem chance. “As novas gerações estão desistindo da ideia de progresso como a única maneira de vida”, afirma. "Muitos estão interessados numa experiência não de desenvolvimento, mas de envolvimento. Se envolver com tudo, inclusive com a história, que nos trouxe até esse momento de abismo, com um vírus ameaçando a humanidade". 

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Celso Athayde

“Minha formação foi feita na favela, na rua, como camelô. E o que conheço de favela aprendi nela, com os favelados. É por isso que não digo pessoas carentes. Prefiro pessoas potentes”, diz Celso Athayde. O ativista social cresceu na Favela do Sapo, no Rio de Janeiro, e é um dos fundadores da Central Única das Favelas (CUFA), que está presente em mais de 400 cidades e tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento de negócios e de profissionais nas comunidades.

Diante da pandemia, ele agiu prontamente e atuou para diminuir os impactos do coronavírus na população mais pobre do país. Mas seu trabalho está longe de acabar. “A favela tem que ser protagonista”, diz. “Ela só vai ser ouvida quando a fala for dela. Isso só será possível se colocarmos nossos nomes à disposição para serem votados”.

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Edu Lyra

"A minha história é uma história de exceção, então ela tem que fazer com que outras pessoas sofram menos para chegar lá, para mudar de vida”, diz Edu Lyra. “Ser bandido em um ambiente de pobreza extrema é, de fato, uma opção. Eu queria provar para o jovem da favela que há muitas outras, como ser empreendedor e transformar a vida das pessoas”. A maneira visionária de enxergar os problemas sociais da favela como oportunidades para as comunidades levaram o empreendedor social a fundar a rede Gerando Falcões, que atraiu investimentos de empresários como Jorge Paulo Lemann e Carlos Wizard.

Na pandemia, Edu Lyra se mobilizou para distribuir cestas básicas em dezenas de favelas com a campanha “Corona no Paredão, Fome Não”. “Todo esse problema colocou uma lente de aumento sobre os grandes dilemas da sociedade brasileira”, diz. “Para manter esse país de pé, todo mundo vai ter que fazer grandes sacrifícios”.

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Emicida

"Fico feliz que crianças com a minha origem vão olhar no espelho e sentir que podem almejar serem reconhecidas", diz Emicida. Um dos nomes mais importantes do rap nacional, o músico e empreendedor criou espaço para mais referências negras de peso na cultura pop e, além disso, amplificou discussões extremamente importantes para promover a igualdade racial no país. "É triste que a maioria das pessoas se acomoda em falar pra quem concorda e não pra quem precisa. No final, quem troca ideia sempre vai embora com duas, esse é meu lema", afirma.

O rapper já lançou dois livros infantis e também é dono da Lab Fantasma, hub de entretenimento que funciona como gravadora, canal de TV, loja de roupas, entre outras tantas iniciativas. Em maio deste ano, Emicida lançou uma nova fase do projeto AmarElo, que nasceu como um disco e se transformou em uma ação multiplataforma que promove discussões sobre transformação pessoal, autocuidado e saúde mental, questões fundamentais em tempos de coronavírus. "Não conseguimos controlar a realidade, mas podemos ter algum controle sobre nossa forma de percebê-la. E isso nos dá vantagem no momento de reagir a ela", diz.

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Felipe Neto

"O maior sonho de qualquer pessoa é deixar um legado. E sinto que sou capaz de fazer isso", diz Felipe Neto. Aos 32 anos, o influenciador brasileiro foi escolhido pela revista Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, soma mais de 36 milhões de seguidores em seu canal do YouTube, 13 milhões no Instagram e 10 milhões no Twitter. E toda essa potência de comunicação é usada por ele como ferramenta de transformação.

Felipe divide com seus seguidores seus erros e suas fragilidades. Fala abertamente sobre depressão, medos e aprendizados. Diante do cenário político atual, marcado por constantes episódios de intolerância, ele passou a usar suas redes sociais para promover debates sobre censura, preconceito, opressão e outros temas cruciais. "Não sou só um menino que faz vídeo para o YouTube, também sou um cidadão brasileiro que lê, estuda, tenta evoluir e que quer ter responsabilidade com o conteúdo que produz", diz.

Luiza Batista

Ela tinha apenas 9 anos quando começou a trabalhar como empregada doméstica. Hoje, aos 63, Luiza Batista dedica a vida a oferecer assistência para as mulheres que pertencem à categoria de profissionais mais numerosa do Brasil. Presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, seu trabalho envolve desde o simples aconselhamento até o acompanhamento de processos judiciais. “Mesmo sendo muito importante na organização da sociedade, o trabalho doméstico é invisibilizado porque, além de ser dentro de casa, é feito por mulheres em sua maioria negras e sem escolaridade”, diz. “Se considero a empregada como parte da família, por que não penso que ela merece ter os seus direitos respeitados para ter uma aposentadoria digna quando envelhecer? Temos que botar o dedo nessa ferida”.

Este ano, Luiza liderou o movimento de reivindicação pela quarentena remunerada para as trabalhadoras domésticas, representando e dando voz a mulheres sistematicamente silenciadas. “Fizemos lives que renderam cestas básicas e outros recursos, e lançamos a campanha ‘Cuida de quem te cuida! Deixe sua trabalhadora doméstica em casa com salário pago’, adotada por 2 mil empregadores”, conta. “Por ter vivido grandes injustiças, percebi que posso ajudar 7 milhões de mulheres a sofrer menos a discriminação”, diz.

Jaqueline Goes de Jesus

Biomédica e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da USP, Jaqueline Goes de Jesus ganhou visibilidade nacional ao realizar no campo da ciência um feito fundamental. Coordenando uma equipe formada majoritariamente por mulheres, sequenciou o genoma do coronavírus apenas 48 horas depois da detecção do primeiro caso da doença no Brasil. “Foi importante pois conseguimos dar o pontapé inicial no entendimento da origem do vírus e de como deveríamos nos comportar em relação à epidemia”, conta. Para se ter uma ideia do feito, outros países levaram em média 15 dias para conseguir o mesmo.

A cientista esteve envolvida em diversas outras iniciativas que marcam evoluções importantes no enfrentamento de epidemias na saúde brasileira, como no caso do Zika vírus. “O fato de termos sido os primeiros a fazer o sequenciamento do coronavírus mostrou do que a ciência brasileira é capaz”, diz. “A ciência está intimamente relacionada ao progresso de uma nação. Sendo assim, investir em ciência é investir no futuro”.

Ricardo Galvão

O físico e engenheiro Ricardo Galvão virou notícia na imprensa nacional e internacional quando o presidente Jair Bolsonaro colocou em xeque a veracidade dos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que apontavam um aumento de 88% no desmatamento da Amazônia – número que depois foi comprovado por outros institutos de pesquisa, entre eles a NASA. Então diretor do Inpe, Ricardo decidiu reagir, sabendo que isso lhe custaria o cargo, e chamar atenção para os contínuos ataques do governo ao instituto e à ciência brasileira. "Pessoas em posição de poder se incomodam com resultados de pesquisas que vão contra os seus interesses ou desejos", diz.

Com a repercussão do caso, ele deu palestras no mundo todo e, no final de 2019, foi eleito um dos dez cientistas do ano pela revista Nature, uma das mais prestigiadas na área da ciência. "Eles disseram que meu posicionamento foi relevante também no cenário internacional, onde está predominando o negacionismo. E minha resposta tinha incentivado muitas pessoas a fazerem o mesmo", conta. Desde que deixou o cargo no Inpe, o físico e engenheiro voltou para a sua posição de professor no Instituto de Física da USP. "Fico feliz de ver os jovens motivados pela preservação do meio ambiente e lutando contra o negacionismo. O papel do professor é ensinar não só uma profissão, mas uma atitude diante da vida”, afirma.

Rodrigo Pipponzi

"A verdadeira transformação acontece quando conseguimos entender nossos privilégios e ferramentas e colocá-los a serviço do outro”, diz Rodrigo Pipponzi. Ao lado da sócia Roberta Faria, o empreendedor fundou a MOL, a maior editora de impacto social do mundo. A doação é o motor deste negócio, que em 13 anos já arrecadou mais de 36 milhões de reais para uma centena de instituições por todo o país através de produtos sociais, entre eles revistas, jogos, livros e calendários.

"Até um ano atrás, a gente batia na porta das empresas para falar sobre o nosso modelo de negócio e parecia que estávamos falando Mandarim”, conta ele, que observou uma mudança significativa nesse contexto durante a pandemia. "Tivemos um boom filantrópico, com um volume de doações histórico. O desafio é manter essa mentalidade acesa além das situações emergenciais”.

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