Renato Meirelles: Terceira via nesta eleição é uma ilusão
Fundador do Instituto Locomotiva, o especialista em pesquisa analisa o cenário político brasileiro e fala sobre as eleições e o futuro do país
Créditos: Divulgação
Por Redação
em 20 de maio de 2022
Aos 16 anos, Renato Meirelles saiu de um colégio particular tradicional de São Paulo para se matricular em uma escola pública contra o desejo dos pais e apesar da condição financeira privilegiada da família. Publicitário de formação, ele levou a experiência mais afundo em diversos momentos de sua vida, tento se instalado na periferia em várias ocasiões. A intenção? Aprofundar seu conhecimento sobre pessoas. Hoje, ele está à frente de dois grandes órgãos de pesquisa: o Instituto Locomotiva e o Data Favela, onde se tornou referência nacional na pesquisa das classes sociais mais pobres ao mesmo tempo em que conseguiu a simpatia de ONGs ligadas à promoção da igualdade social.
Especialista também em entender o comportamento do Brasil consumidor, que ele acredita ser muito mais diverso do que o empresariado imagina, Renato conversou com o Trip FM sobre a performance de João Dória nas pesquisas eleitorais, falou por que não acredita no surgimento de uma terceira via e deu seu prognóstico para o futuro do Brasil. Leia um trecho a seguir, confira a entrevista completa no play aqui em cima ou ouça o programa no Spotify.

Trip FM. Além de agilizar as entregas da vacina da Covid-19, o governo João Dória tem alguns outros dados positivos. Ao que se dá a falta de popularidade desse candidato?
Renato Meirelles. O João Dória ajudou na chegada da vacina através do confronto político direto. Essa lógica foi vista como um aparelhamento da vacina, o que afastou parte do eleitor. Essa maneira pouco empática de defender bandeiras somente por interesses próprios e não porque elas vão mudar a vida das pessoas aliada ao fato de que a política odeia traidores fez com que ele fosse odiado por petistas e bolsonaristas, as maiores forças políticas do Brasil. É por isso que ele tem esse índice de rejeição.
Por que o Brasil não conseguiu encontrar a tal da terceira via? Nós temos duas figuras bastante conhecidas nas eleições. Bolsonaro construiu uma estratégia de consolidar a sua base eleitoral acreditando que o antipetismo será maior que o antibolsonarismo no segundo turno. Acho que tem um erro de avaliação nisso. O ex-presidente Lula está levando essa eleição na base da comparação, perguntando ao eleitor se a vida dele está melhor agora ou se estava antes, fugindo também das discussões. Para existir uma terceira via era necessário não ter essas figuras tão fortes. Essa não é uma eleição de mudança, como a passada. É uma eleição de avaliação. É uma ilusão achar que exista uma candidatura que vá unir aspectos da política tão diferentes. Quem quer uma figura nova é o mercado.
Os líderes das corporações estão, em alguns casos, muito assustados e sem saber que posições tomar. O que você tem encontrado nas empresas? Na história, depois de todas as pandemias nós tivemos modelos de crescimento econômico e cultural: o Renascimento, o Iluminismo. Talvez o século XXI só esteja começando agora. Os empresários estão começando a entender que o que os trouxe até aqui não vai levá-los adiante. Eles não estão conseguindo lidar nem mesmo com a postura dos filhos, que serão herdeiros dessas empresas. Eles estão sentindo uma pressão enorme dos acionistas em relação às questões de diversidade e estão sendo, às vezes à fórceps, convencidos de que é necessário mudanças. É um processo que está no gerúndio.
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