Ator do sucesso da Netflix fala sobre sua trajetória e os desafios de representar a periferia no audiovisual
“A gente tem que construir um novo jeito de pensar pessoas periféricas dentro do audiovisual", diz Christian Malheiros. “O cinema nacional tira a alma desses personagens, os torna pessoas sem empatia. É muito cruel, cretino. Meu trabalho vai na contramão. O meu personagem sente, tem medo, tem dois filhos. Não é e não pode ser um psicopata. O que fez ele chegar nessa situação?”.
Com a chegada da quinta e última temporada da série "Sintonia", o ator que interpreta o Nando trocou uma ideia com o Trip FM sobre a responsabilidade e o significado de dar vida a personagens periféricos. “É fácil me taxarem como preto, favelado e sempre cair nessa caixinha. Não tenho problema em fazer outro bandido, são histórias que precisam ser contadas no cinema. Mas só tem isso pra mim? Por fazer personagens periféricos, as pessoas acham que é o que eu sou. Sou isso e muitas outras coisas", diz. “É uma linha tênue. Por eu ter perdido amigos e primos para o crime, me dá uma consciência do que estou retratando, de qual é esse sentimento, essa dor. Eu tenho uma responsabilidade social de retratar isso de forma digna.”
Desde sua estreia no aclamado "Sócrates" (2019) — que lhe rendeu o prêmio APCA de melhor ator — até o estrondoso sucesso em "Sintonia", Malheiros se consolidou como um dos grandes nomes da nova geração de atores brasileiros. A produção, que em 2023 alcançou o topo do ranking global de séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix, chamou atenção pela
Num papo com Paulo Lima, o ator também falou sobre sua própria história, sua família e como sua infância influenciou a forma como enxerga o mundo. “Uma figura paterna fez falta, mas eu fui forjado em uma educação feminina. E por isso eu sou muito grato. Fui educado para saber como tratar bem uma mulher, saber o seu valor e que ela é muito mais forte do que o homem: trabalha na rua, faz o serviço de casa, trabalha três vezes mais.”
Sobre conquistas materiais, Christian destacou a importância de garantir estabilidade para si e sua família. “Pra quem é de periferia, ter um teto e um carro é uma demonstração de que você está tranquilo na vida. O resto é lucro. Minha mãe sempre me falou para ter o ‘meu teto’. Morar de aluguel e investir o dinheiro, do lugar onde eu vim, é balela. Morar de aluguel é desesperador.”
Quer saber o que mais rolou nessa conversa? O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify