Além do cárcere
Convidadas a fotografar, desenhar e escrever, mulheres aprisionadas se redescobrem livres
Foto premiada de T.N.O., do Internato Feminino da Móoca / Créditos: Imagem: T.N.O
O lançamento do livro O direito do olhar escancara a profunda indiferença em que estão mergulhadas as mulheres do sistema penitenciário brasileiro. Milhares de internas experimentam a solidão; sejam as presas que vivem a saudade e o abandono de amigos e parentes, sejam as próprias agentes carcerárias, que experimentam a pouca valorização de suas profissões e a conseqüente baixa auto-estima. Por isso, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) desenvolveu um concurso cultural nas unidades prisionais e casas de custódia femininas da cidade de São Paulo. O resultado ganhou forma no livro que será distribuído este mês nas bibliotecas municipais da capital paulista.
Trabalhar em produções artísticas permite a essas mulheres resgatar a dignidade esmagada pela vivência diária no sistema penitenciário. Das 3.700 presas da cidade de São Paulo (são mais de 24 mil em todo o país), 680 mulheres se inscreveram para participar do concurso. Dessas, 360 foram selecionadas para concorrer em três categorias: desenho, foto e texto. Os melhores trabalhos estão publicados no livro “O direito do olhar – publicar para replicar”. Premiada com uma poesia, Verônica Vaz, 39 anos, cumprindo pena de 26 na Penitenciária Feminina, afirma: “Quando você cai na prisão, perde toda sua credibilidade. E um projeto como esse é uma injeção de ânimo para a pessoa mudar a vida, mudar sua história. A arte liberta, pois a alma é livre.”
Completando dez anos em julho, o IDDD foi criado por um grupo de advogados, em sua maioria atuante na área criminal, para preservar o direito de toda pessoa à sua defesa. Assim, são organizados mutirões de advogados para dar assistência gratuita à população. A iniciativa do projeto e a publicação da obra nos lembram de que a dignidade humana não deve ser privilégio dos cidadãos que vivem em liberdade, como colocou a presidente do IDDD, Flávia Rahal: “O direito de defesa é dar voz aos acusados.”
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