por Cleiton Campos

Trip Transfomadores: 15 mil compareceram ao show em homenagem aos 70 anos do artista

Auditório do Parque do Ibirapuera em São Paulo, em um domingo de sol intenso, a obra de Chico Buarque conseguiu até mesmo transformar o clima seco e hostil da capital. Um pouco de chuva contrariou os meteorologistas para lavar a alma das 15 mil pessoas que compareceram ao show em homenagem aos 70 anos do artista maior da MPB, parte dos eventos que compõe o movimento Trip Transformadores 2014. Brothers of Brazil deu início aos trabalhos, com uma das canções mais punks do repertório, “Geni e o Zepelim” e, na sequência, emendou “Olhos nos olhos”. João Suplicy falou um pouco sobre sua relação com Chico: “A primeira lembrança que eu tenho na vida, é indo viajar com meus pais, e na estrada a gente ia cantando 'Construção', 'Lua de São Jorge’… meus pais adoravam”, recorda João que, para não deixar dúvidas, mandou “ele é o maior compositor do mundo, não só do Brasil. Ele só não tem esse reconhecimento pela questão da língua”. 

Tim Bernardes, guitarrista e cantor d'O Terno, contou que apesar de fã, as músicas não faziam parte do repertório mas, mesmo assim, ficou com eles a responsabilidade de executar o maior hit buarqueano, “A Banda” - e o fez em uma versão nada ortodoxa. “Transformação pra mim é o cara ter a manha de recomunicar algo que já foi comunicado antes, de um jeito novo”, concluiu Tim. Com seu timbre adocicado, Blubell interpretou "Anos Dourados" e o "Grande Amor". Outra fã declarada, a cantora estava emocionada de finalmente cantar Chico em um palco, algo inédito em sua carreira. "É um tesão homenagear um cara como ele, suas obras merecem e devem ser revistadas e perpetuadas. Tanto na música, quanto na literatura”. Saulo Duarte e a Unidade botou fogo na plateia com uma versão reggae de "Deus lhe pague", e "Jorge Maravilha”, o que facilitou o trabalho de Felipe Cordeiro, que já pegou o público animado para “Cotidiano" e "Não existe pecado ao sul do Equador”. Depois, a carioca Nina Becker, que interpretou “Deixa a menina” e “Retrato em preto e branco”, agradeceu a chance de homenagear este “símbolo do Rio de Janeiro”, que é Chico Buarque. 

A banda Aláfia, todo de vermelho, subiu ao palco com “Construção" e não saiu mais, a big band faria também o papel de banda de apoio dos shows de Criolo e Elza Soares. "Antes de ser um grande artista, ele é uma grande pessoa. Porque a pessoa vem primeiro que o artista”, justificou Criolo sobre sua participação no evento. "João e Maria me emociona, me lembro de assistir aos Trapalhões com meus pais, tinha um quadro que usava essa música.”, recorda-se o rapper. Elza Soares demonstrou domínio absoluto de palco. A música não podia ser mais apropriada, “Dura na queda”, obra de Chico em homenagem a ela própria. Nessa hora, Supla assistia ao show na lateral do palco e comentava impressionado o que a diva é capaz de fazer com sua voz, “olha isso que ela tá fazendo! Isso é uma percussão com vocal!”. O público, completamente enfeitiçado, a acompanhou em uma versão acapella de “Meu Guri”. A emoção foi tanta que até a chuva apertou, e aos versos de “Partido Alto” (Diz que deu/ diz que dá/ E se Deus negar, ô nega?), todos voltaram ao palco para se despedir de uma noite tão especial quanto transformadora.

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