por Nana Queiroz

Mulheres que contaram nas redes sociais seus primeiros assédios escrevem uma carta para si mesmas quando mais novas

Querida Nana,

Sei que você ainda é pequenininha pra entender, mas isso que aconteceu com você ontem não foi sexo, foi violência. Sexo é uma coisa bonita que duas pessoas que se amam ou se respeitam muito fazem juntas. Sexo também pode ser uma brincadeira divertida que dois estranhos adultos brincam juntos, de livre escolha. Não tem nada de sujo nisso. Os corpos sem roupa, nesses casos, são tão puros quanto quando a mamãe te dá banho de tanque e você brinca de escorregar com seus irmãozinhos.

Não chore, pequena Nana, você não vai pro inferno por isso. Deus é um cara muito mais legal do que ficam te dizendo por aí e Ele vai te compensar por isso mil vezes, sabia? Ele sabe muito bem o que estava em seu coração e, mais que todo mundo, entende que nada daquilo foi sua culpa. Nem precisa se confessar pro padre, conversa direito com o Deus, que é seu amigo. Se ficar com medo, pega na mão do Guilherme, seu anjo da guarda, que sei que você gosta de fazer isso, e ele vai te confortar.

E você não precisa odiar o menino que te fez mal, pode dar a ele o presente de Natal que comprou com suas economias. Ele também é criança e vítima de uma sociedade que o ensinou a pegar à força bruta o que quer. Ele nunca vai ser feliz porque não foi criado pra entender que felicidade é troca entre seres humanos, e troca exige escolha.

Pequenininha, deixa eu te contar: um dia você vai conhecer um homem bonito que vai te amar muito, te fazer cafuné e vai te ajudar a esquecer que tudo isso doeu. Ele vai te mostrar que sexo é coisa bonita e não tem nada a ver com pecado. E você vai ter amigas, um Brasil cheio delas, e elas vão sentir dor porque você passou por isso e, juntas, vocês serão invencíveis, que nem os cavaleiros do zodíaco!

Beijo enorme

...

Hoje, Nana Queiroz tem 30 anos. Em seu Facebook, ela contou sobre seu #PrimeiroAssedio, aos cinco anos. Seu melhor amigo na época, de apenas 7 anos, tentou fazer sexo com ela. Para Nana, ela foi estuprada pelo machismo. 



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