O jornalista Décio Galina fala sobre a emoção de concorrer ao prêmio “Boas Práticas na Aplicação, Divulgação ou Implementação da Lei Maria da Penha”
Por Décio Galina
Existem dias que não precisam terminar para termos a certeza de sua importância histórica em nossas vidas. Ontem foi um deles. Tive a honra de representar a TPM na cerimônia do 1º Prêmio “Boas Práticas na Aplicação, Divulgação ou Implementação da Lei Maria da Penha”. A entrevista com Maria da Penha publicada em Páginas Vermelhas [leia aqui a matéria], capa da edição de novembro de 2008, foi selecionada entre 181 trabalhos indicados e ficou entre as duas finalistas da categoria “Realização de Matérias Jornalísticas” (eram cinco as categorias). A vencedora na categoria foi Elen Almeidah, do jornal Correio de Gravataí (Rio Grande do Sul), que publicou cerca de 30 reportagens focadas em casos de violência doméstica.
Não houve, porém, qualquer clima de disputa entre as entidades finalistas. Parecia que todos ali compartilhavam da emoção de celebrar o quarto ano da criação da lei 11.340, popularmente conhecida como lei Maria da Penha, graças à luta da mulher que precisou de 19 anos para enjaular o marido que tentou matá-la duas vezes: uma com um tiro nas costas e outra, já paraplégica na cadeira de rodas, eletrocutada no chuveiro. Com a lei, criaram-se mecanismos para coibir a violência familiar contra a mulher, como a prisão preventiva e a prisão em flagrante para os agressores.
A cerimônia, no auditório do segundo andar da OAB em Brasília, previa a presença de presidente Lula, que acabou não se confirmando. Os trabalhos da mesa foram conduzidos pela ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire. As lideranças feministas mais importantes do país lotaram o auditório e ovacionaram todos os finalistas. Na abertura, o Hino Nacional foi entoado de forma brilhante pela cantora Tereza Lopes, acompanhada por violão, em ritmo lento, em que cada verso ganhou uma força extraordinária. Nunca aplaudi uma apresentação de maneira tão efusiva. Palmas fortes, intensas, como se o auditório abarrotado colocasse ali, em cada batida de mão, a esperança (e a certeza!) de um país mais justo. Talvez isso explique por que sigo com a alma elevada mesmo 24 horas depois da cerimônia. Talvez isso explique também por que fiquei absolutamente arrepiado com a vibração emanada por um grupo de mulheres tão poderosas.
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