Marjorie da Fonseca
01. Va - Minha companheira de signo, festas, trabalhos na faculdade e bate-papos. 02. Ano Novo na Praia – Sempre. 03. Meu niver - Amigos desde os tempos de escola. Amo! 04. Marquinhos e Eu / Créditos: Arquivo pessoal
Por Redação
em 23 de novembro de 2010
Ela é dona de um cabelo preto e longo, olhar sereno, caminhar tranquilo, apesar de sentar de costas pra mim (a menos de 1 metro de distância) só ouço sua voz quando quero azucriná-la (claro, no sentido alegre da palavra). Por trás dessa timidez toda, existe uma mulher forte, batalhadora, sonhadora, guerreira e blogueira que tem muito para nos dizer. Com vocês, Marjorie Fonseca, a estagiária de texto da Tpm! * Por Camila Durelli
Quem é a Marjorie Fonseca?
Sou aquariana, signo considerado o melhor para conviver, rs. Me considero uma “menina-mulher”, gosto de ficar às vezes sozinha para refletir, fazer escolhas e escrever poesias. Eu arrisco algumas linhas, uso muitas vezes a poesia para desabafar comigo mesma. Também adoro assistir a filmes, principalmente de comédia, aqueles que me fazem dar gargalhadas sem parar. Sou bem calma e sempre sei me sair bem de alguma cilada!
Faz um benzão em desabafar, ainda por cima através da arte da poesia! E essas linhas que você arrisca, compartilha com alguém?
Hahaha, não, não. Deixo nos meus cadernos que ficam bem escondidos, ou no meu lap, em uma pasta que criei chamada “Momentos”.
E não posso deixar de perguntar, conta a cilada mais “cilada” que você conseguiu se sair bem.
Ah, um exemplo simples: uma vez na faculdade esqueci de entregar um trabalho em grupo, ou seja, a outra pessoa esperava a minha parte para finalizar o trabalho. Aí eu disse que já tinha terminado e estava no meu pen drive. Logo depois, pedi a parte da minha amiga que eu iria juntar, conversei com o professor, terminei a minha parte e entreguei no primeiro horário do outro dia por e-mail. Atrasos acontecem…
Haha, malandro é o gato de bigode. E de onde você vem?
Sou paulistana e sempre morei no bairro do Capão Redondo.
Orgulho de ser Capão Redondo?
Moro em um condomínio de casas no Capão e tenho sim muito orgulho do meu bairro e da galera da comunidade. Lá tem tudo o que eu preciso e, o melhor, são os meus amigos que fiz desde os tempos de escola.
Conta pra gente como é a vida na comunidade junto com os “brothers”, mano!
Hahaha, “os manos, brothers” são apenas expressão. Para mim, sabe o que quer dizer de verdade? Que eles são bem mais que amigos, são meus irmãos. Lá na minha rua são todos unidos, sempre dispostos a ajudar, me lembro de inúmeras situações que um ajudou o outro. Acho que isso é saber viver bem em uma comunidade, seja nos Jardins ou no Capão.
Mas e aí, Marjorie, qual é o seu maior sonho?
Sempre digo que eu não tenho sonhos, mas sim planos para o futuro. Bom, o que quero mesmo é viajar pelo mundo, fazendo coberturas investigativas. Quero visitar a África, esse sim é um dos meus maiores planos. Como ainda sou “novinha”, tenho 21 anos, ainda tenho muito tempo. Mas, como toda mulher, quero ter uma família, filhos e viver em paz pra sempre. Nem digo feliz, porque isso é muito “conto de fadas”!

Você realmente acha que felicidade só existe em contos de fadas?
Não. É claro que ela existe, senão todos já teriam se matado, rs. Como viver sem ser feliz? Mas, vamos ser sinceros, nos contos de fadas nem as princesas são felizes desde o começo, elas sofreram muito. Então penso assim: A felicidade existe sim, mas ela é de momentos e quem faz os momentos somos nós mesmos. Não é possível ficarmos felizes o tempo todo, porque estamos em constantes mudanças, passamos por várias fases em nossas vidas e cada uma leva a um pensamento diferente.
Hum! Pode escrever uns versos a partir daí, não?! Se arrisca?
Não, não… Só quando estou sozinha.
E o que é felicidade pra você?
Viver momentos simples ao lado das pessoas que amo.
E em relação à África, o quer fazer exatamente lá?
Bom, inicialmente quero conhecer o lugar. A África não é só pobreza, são tantos lugares bonitos! Mas minha intenção é participar de algum projeto social no país, eu sou muito ligada a isso. Adoro ajudar, fazer o bem para as pessoas.
Legal! Mas você acha que precisa ir até a África pra fazer projeto social? Não acha que aqui tem muita pobreza e pessoas a serem ajudadas também?
Claro, tem sim. E isso já faço também por aqui. Mas acho que uma coisa não tem muito a ver com outra. Quero conhecer uma nova cultura, saber como é viver lá e conhecer o lugar.
Entendo. Então, além de estagiar aqui, você trabalha em ONG? Qual? E que tipo de trabalho vocês fazem?
Eu não trabalho em uma ONG na verdade. Eu acompanho os projetos sociais feitos pela ONG Casa do Zezinho, localizada lá no Capão, e ajudo se precisar. Meu namorado foi um dos primeiros “Zezinhos”, bem antes da grande estrutura que a ONG é hoje. Foi por meio da Casa do Zezinho que ele conseguiu realizar seu sonho de publicar seu livro. Na Casa são acolhidas cerca de 1.500 crianças, que ficam fazendo diversas atividades: música, capoeira, aulas de inglês, natação, etc. Tudo de graça, em período integral. Então eu tenho um contato bem grande com a Tia Dag (Fundadora da Casa) e com todos os outros membros.
Ah, então seu namorado é escritor?! Que chique! O que ele escreveu?
Sim, ele é escritor e trabalha como educador social na ONG Instituto Rucka, localizada lá no Capão. O livro dele se chama Zona de Guerra, lançado ano passado. No mês de julho ele foi para a Alemanha apresentar o livro em três cidades. Conta a história de cinco amigos que moram em uma favela no Parque Santo Antonio e vivem intensas histórias… Quem quiser saber mais é só comprar, rs. Encontrado em todas as livrarias do Brasil ou pela internet em diversos sites, como o da Saraiva.

Você estava comentando que o Marcos Lopes (seu namorado) é o grande “culpado” de você ter caído de paraquedas aqui na editora, conta melhor isso!
Bom, tudo começou quando o Marcos encontrou o Paulo Lima no Power To The Peaceful. Eles ficaram amigos e o Paulo iniciou o projeto do livro dele aqui na Trip. Passou um tempo e eu o encontrei em alguns eventos da Casa do Zezinho (ONG). Depois o Marcos conversou com ele a respeito de eu trabalhar aqui. Como já tínhamos nos conhecido antes e tal, ele lembrou de mim e me chamou. Cheguei aqui, senti o ótimo astral da editora e até falei comigo mesma: “quero ficar aqui!”. Conversei com a Bettina, supersimpática também e deu tudo certo. Hoje estou na Tpm, que amo!
E, por ser estagiária, você ainda está estudando, né? Onde? Em que ano?
Ainda estou. Não aguento maissss!!! Faço faculdade na Universidade Paulista e estou no último semestre.
Você sempre quis ser jornalista?
Sempre! Normalmente quando você é criança sonha em ser veterinária, astronauta, professora… rs. Mas eu não, eu sempre quis ser jornalista. Quando ganhei, aos 5 anos, o gravador vermelho da Gradiente não larguei mais. Nele eu cantava, gritava, mas principalmente entrevistava. Nos tempos de escola já estava decidida. Acabei realizando meu objetivo, ao contrário de quatro amigos meus que também queriam fazer jornalismo e acabaram indo para economia, história, engenharia e enfermagem.
Então, gosta de escrever?
Amo escrever! Por isso escolhi essa profissão. Lembro que quando tinha 8 anos de idade, fiz meu primeiro livro. Ele tinha cinco páginas e contava a história de uma menina que ganhou um cachorro. Também tenho meu blog no site da Tpm: Minha Vida na Perifa, onde escrevo sobre meus momentos e desabafo também.
Que pergunta a minha, dãr! Mas, sei lá, vai que você escolheu essa profissão só pra ficar ganhando as coisas que o pessoal envia para a redação (coisa que o pessoal da arte não ganha), rs. Brincadeiras à parte, conta mais sobre o que seu blog, fala…
Desde quando iniciei meu blog, fui com a proposta de escrever posts de eventos, lugares para curtir no Capão e na periferia do bairro, programas sociais e sobre momentos meus lá. Ao contrário do que muitos pensam, depois da ponte (João Dias) tem muitas coisas boas, momentos de alegria e pessoas que você faz amizade e leva pra vida toda. Tem um post lá, bem legal, e que foi muito falado pelos meus amigos e por pessoas que eu nem conhecia. Escrevi sobre o dia em que eu e o meu namorado levamos dois meninos para ir ao cinema. A ideia parecia uma coisa simples, lugar que é normal ir aos fins de semana, mas para eles esse dia foi mágico, porque eles nunca tinham entrado em um! No dia ficamos muito emocionados e nos divertimos bastante.
Para finalizar, fecha os olhos e fale a primeira palavra que te vem à cabeça.
Amor.
Valeu, Marjorie, pode continuar a fazer seus textos, porque eu também tenho que terminar de layoutar.
*Camila Durelli sabe alegrar alguém e está sempre perguntando como as pessoas estão, se bem, se mal. Como sempre digo: ela é uma figura! E é mesmo, porque está sempre enchendo minha paciência. E, por sentar bem atrás de mim, podem imaginar o quanto eu sofro, hein?! Apesar do sorriso aberto, ela é uma pessoa muito centrada em seus objetivos e, pelo que já deu para perceber, uma excelente amiga!
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