Cristovão Tezza
Escritor
O escritor catarinense Cristóvão Tezza, 59 anos, ganhou os principais prêmios literários de 2008 com o livro O filho eterno, em que ele transforma sua relação com o filho, portador da síndrome de Down, em ficção na terceira pessoa do singular. Mas o que Tezza conseguiu com seu livro vai muito além das premiações: ele chamou atenção para a realidade dos pais de filhos com Down com uma abordagem ao mesmo tempo crua e humanista. “Eu não posso ser destruído pela literatura; eu também não posso ser destruído pelo meu filho – eu tenho um limite: fazer, bem-feito, o que eu posso e sei fazer, na minha medida.” “Sem pensar. pega a criança no colo, que se larga saborosamente sobre o pai, abraçando-lhe o pescoço, e assim sobem as escadas até a porta de casa”, escreve Tezza no início do livro. O texto “trata da relação pai e filho de uma forma que transcende a questão da síndrome”, afirma o escritor. Por isso mesmo, tornou-se peça-chave na compreensão de suas implicações na família, jogando luz sobre um tema delicado de forma tão realista que chega a incomodar. Sem a intenção de tornar-se especialista no assunto, Tezza viu seu livro “crescer mais que o autor.” O romance rompeu com certos tabus que envolvem a síndrome. Por essas e outras, Tezza se define como “um escritor em transformação”, crente no “poder formador da literatura.”
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