Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Maresias não é Teahupoo, mas está sem dúvida entre as ondas mais pesadas do país, e mostrou que, assim como o famoso e temido pico no Taiti, também é capaz de proporcionar tubos incríveis, ondas de 3 metros e alguns momentos espetaculares. Foi o que aconteceu na praia do litoral paulista durante a segunda etapa do ano do Circuito Brasileiro de Surf Profissional, mais conhecido como SuperSurf, entre 21 e 25 de abril, do qual participaram 104 surfistas representando 13 estados.
Dos 96 surfistas que formam a elite do surfe nacional, 90, entre homens e mulheres, estavam lá. Peterson Rosa, Victor Ribas, Fábio Gouveia, Neco e Teco Padaratz eram alguns dos favoritos ao título e aos longos passeios nos cilindros que rolaram no litoral norte de São Paulo na semana passada. O catarinense Teco está inclusive atrás de um dos poucos títulos que ainda não tem: o do circuito profissional brasileiro.
Entre tantos nomes de peso, foram dois jovens cariocas que conquistaram a nota máxima. Leandro Bastos, 18, protagonizou a cena mais espetacular da competição ao passar liso e com classe por um tubo perfeito em uma onda de quase 3 metros. A primeira nota 10 da disputa foi para ele. A segunda, que ratificou Maresias como a onda 10 do Circuito – das 13 notas dez desde a criação do SuperSurf em 2000 oito foram lá -, aconteceu pouco depois com outro tubo espetacular, de Gustavo Fernandes, 19.
Apesar do início de tirar o fôlego, no sábado a competição foi adiada porque o mar ficou completamente flat. Domingo, debaixo de chuva mas com um novo swell entrando, foram disputadas as finais. Enquanto os favoritos iam sendo eliminados, o ubatubense Odirlei Coutinho seguia firme e, na bateria final, venceu seu conterrâneo Renato Galvão para ficar com o título. O caminho de Odirlei à final foi facilitado porque o baiano Jojó de Olivença, campeão brasileiro em 88 e 92, torceu o tornozelo na primeira onda da semifinal e abandonou a competição. O campeão assumiu a liderança do ranking e levou para casa um cheque de 22 mil reais.
Apesar de as atenções terem ficado concentradas na disputa do masculino, foi o feminino que rendeu a final mais emocionante. Aos 45 do segundo tempo, com uma boa onda, Suelen Naraisa tirou o caneco dos pés da catarinense Juliana Quint, que fazia sua primeira final no Circuito Brasileiro e liderou a bateria quase inteira. A próxima etapa do SuperSurf acontece em Pernambuco, na praia de Porto de Galinhas, de 30 de junho a 4 de julho.
Até lá, giramos o pescoço para as disputas do Mundial, quando a emoção promete correr solta e o Taiti volta a ser onde sempre foi: na Polinésia Francesa. Entre os dias 6 e 18 de maio, os melhores surfistas do mundo, homens e mulheres, estarão por lá desafiando o mais temido dos tubos: Teahupoo. O melhor brasileiro até hoje na competição foi Danilo Costa, terceiro colocado no ano passado, que participará do evento como convidado do patrocinador, a Billabong. No feminino, a brasileira Tita Tavares tem boas chances. Pelo menos desembarcará no Taiti confiante depois do excelente terceiro lugar conquistado durante o Roxy Pro de Fiji.
NOTAS
AINDA SOBRE O XXL
Faltou dizer: a justa vitória pelo melhor tubo para Malik Joyeaux, numa onda descomunal em Teahupoo, e injusta derrota do brasileiro Evaristo Ferreira na categoria remada.
EDDIE WOULD GO
O campeonato de ondas grandes em sua homenagem não rolou, mas o livro com a biografia do havaiano Eddie Aikau, de Stuart Coleman, acaba de ser lançado no Brasil pela Editora Gaia.
CAÇA-TALENTOS
Promovido pelos campeões Sandro Dias e Fabíola da Silva, evento em Campo Grande, no Rio, reuniu 50 crianças para disputar 10 vagas, no skate e nos patins, nos Latin X-Games. FOTO: waves.terra / Ader Oliveira
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