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Sorte no amor

Conversamos com Hermila, a jovem protagonista do filme O Céu de Suely

Sorte no amor

Por Redação

em 1 de novembro de 2006

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Tem gente que daria tudo para fugir de um lugar. Hermila, personagem principal de O céu de Suely, novo filme de Karim Aïnouz, decide rifar sua virtude para escapar do fim de mundo em que está perdida

Por Filipe Luna

Quanto custaria uma noite no paraíso? Para Hermila, ou melhor, para o felizardo que ganhasse sua rifa, o paraíso é aqui do lado e custaria apenas 15 reais. Era quanto valia o bilhete que garantia ao vencedor uma noite de luxúria com a dama, vivida pela pernambucana Hermila Guedes (o nome dos personagens é propositadamente igual ao dos atores). Esse é o mote de O Céu de Suely, novo filme do cearense Karim Aïnouz, que dirigiu Madame Satã. Baseado numa notícia lida num jornal, conta a saga da personagem que volta a Iguatu, no Ceará, para viver com seu marido e filho.
Mas seu esposo nunca chega de São Paulo e cresce a vontade de fugir para o mais longe possível daquele fim de mundo. Nem o amor de João Miguel (que debutou em longas junto com a atriz em Cinema, Aspirinas e Urubus), disposto a comprar todas as rifas para que ela fique, faz a menina desistir de se sortear pela loteria federal. Depois da estréia no Festival de Veneza, o filme será um dos destaques da 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (leia mais sobre o evento na matéria anterior). Para saber um pouco mais dessa curiosa rifa, conversamos com a jovem protagonista da película, Hermila, de apenas 25 anos, mas já com Cannes e Veneza no currículo.

Como foi em Veneza? Um sonho. Nunca vivi essa experiência de estrear um filme num festival em que todo mundo que trabalha com cinema almeja um dia estar. Ainda mais com esse filme, que foi muito importante para minha carreira… o processo foi bem difícil.

Por quê? Fátima Toledo, que preparou os atores no filme, trabalhou muitos traumas de infância com a gente para dar força aos personagens. Em alguns momentos me senti frágil, a gente ia se fortalecendo à medida que se passavam os dias. Foi meio que uma terapia.

Você seria capaz de fazer o mesmo que sua personagem no filme? Não sei se tenho essa coragem de ir embora pra vida, sozinha, sem saber o que vai acontecer depois. Mas era a única coisa que ela podia fazer. Então, se foi dessa forma, por esse motivo, talvez fizesse a mesma coisa… Precisaria pensar muitas vezes antes, mas acho que seria capaz de cometer essa loucura.

Acha que ela conseguiu ser feliz? Só o fato de ela tentar, de buscar a felicidade, é mais importante do que realmente alcançar no final. Muita gente se acomoda com a merda de vida que tem e não faz nada. Ela foi atrás… se vai ser feliz ou não, é problema da vida.

Quanto valeria tua rifa? Quinze reais é muito pouco… [Risos] A minha rifa valeria caráter. Não precisaria pagar nada se fosse um homem maravilhoso que me amasse muito.

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