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SEGURO-DESEMPREGO

Como se achar no novo cenário em que você se vê quando perde o emprego?

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Caro Paulo,


Queria muito poder dizer algo que fizesse sentido para quem está tendo que enfrentar uma demissão. Não só para a vítima que perde o emprego mas também para aquele que demite, o chamado vilão da história. Eu sei que qualquer coisa que eu disser não será nada, perto da destruição da auto-estima de quem foi expelido pela máquina produtiva de uma sociedade que supervaloriza a produção. Mas, se não houver uma compreensão maior do contexto em que essa demissão ocorre, aí sim é que fica difícil e até impossível ao indivíduo se achar e se encaminhar no novo cenário em que é jogado. O ponto é: essa demissão faz parte de um processo de destruição que acabará no caos, no fim de tudo, ou que dará início a uma nova etapa de desenvolvimento pessoal e social para todos?


Concordamos com o fato de ser uma fase de destruição. Porém, a perspectiva do capítulo seguinte dessa história faz toda diferença. Posso escolher o lamento e insistir na tentativa frustrada de arrumar um emprego que me inclua no processo produtivo de uma sociedade em decadência ou posso tentar vislumbrar uma nova dinâmica na sociedade, um futuro diferente daquele imaginado quando entramos na universidade e no mercado de trabalho. Em termos bem simples: chuto o pau da barraca que me pôs para fora e vou procurar uma nova maneira de construir barracas ou tento voltar para dentro da barraca mesmo sabendo que ela não se sustenta mais porque seu projeto está superado pelas novas tecnologias e anseios sociais?


Grande futuro   
Eu proponho, no lugar do lamento, a esperança. No lugar da tentativa de voltar, a evolução, a inspiração e a imaginação para construir outra realidade. E repito: isso vale tanto para a vítima quanto para o vilão da demissão. Porque a nova realidade é nova para todos. Proponho não olhar para os índices de desemprego e de produção nacional: eles se contradizem, nos confundem e falam só de um passado que ainda não terminou de passar. Proponho olhar para os números que mostram um grande futuro para os pequenos. Veja os governos, os bancos estatais e privados voltando suas linhas de crédito para o empreendedor com valores menores. Veja a importância do artesanato como criador de empregos vis a vis a grande corporação. Para se criar um emprego na indústria automobilística  são necessários R$ 120 000, e para se criar um emprego na indústria de artesanato – formada por micro e pequenas empresas – são necessários R$ 700. E as duas geram o mesmo valor para o país. Veja que as pequenas e médias empresas são responsáveis por 70% dos empregos. Veja a internet como uma ferramenta de trabalho para uma pessoa fazer conexões e criar mundos nunca antes imaginados. O indivíduo é a nova base da produção e não mais a corporação.

Por isso, não se olhe como uma peça fora da máquina. Não se veja como peça, mas como uma unidade criativa autônoma que tem seu valor numa nova dinâmica social. Não olhe para o emprego que o mercado poderia oferecer mas para seu potencial de ser útil, em qualquer coisa. É dessa liberdade de olhar que poderá surgir o novo. A nova ordem pede que você apóie sua competitividade não nas habilidades requeridas mas nas suas habilidades queridas, aquelas que te custam menos e satisfazem mais.

Transição é assim. É difícil para todo mundo. Eu mesmo abri mão de caminhar o caminho trilhado e estou inventando minha estrada na medida em que vou indo. Quando me perguntam onde busquei coragem para fechar a Guimarães e me aventurar no novo, respondo: na minha satisfação e na minha visão de futuro. Alguém pode dizer que esse pensamento é muito avançado. Talvez seja para quem está empregado e acomodado. Porque, para quem foi demitido, esse futuro já começou e a escolha tem que ser feita: lamento ou evolução, esperar o emprego requentado na economia reaquecida ou criar o futuro.
Ricardo.


*Ricardo Guimarães, 54, fechou sua agência de publicidade, a Guimarães Profissionais, e hoje é presidente da Thymus Branding. Seu e-mail é  ricardo@guimaraes.com.br

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