em 14 de setembro de 2011
Quem vê comportamento…
Há pouco tempo li um artigo que me impressionou vivamente. O autor (João Melão), além de escrever muito, fazia comparações entre dois políticos de comportamentos diametralmente opostos.
O primeiro era pessoa absolutamente disciplinada. Não possuía vício algum e estava sempre dentro de seu peso correto. Não possuía nenhum hábito que fosse considerado reprovável. Pontual ao extremo, obsessivo pelo trabalho e quando não estava trabalhando estava lendo ou estudando. Dedicou sua vida a realizar uma missão que considerava da máxima importância. Idealista, viveu e morreu por sua causa. Seus subordinados e familiares diziam que ele era cordial, afável e de convivência agradável. Foi amado e seguido de olhos fechados por seu povo.
O outro enchia a cara desde muito novo. Tido e havido como beberrão. Fumava muito, mulherengo ao extremo e se alimentava excessivamente. Gordo, meio que disforme, não possuía disciplina alguma. Acordava e dormia a hora que lhe aprouvesse. Teimoso, ranzinza e não aceitava opiniões contrárias de modo algum. Foi afastado do comando, caiu em desgraça perante a imprensa e a opinião pública. Pessimista e cético quanto à natureza humana, tratava a todos abaixo de si com desprezo e arrogância.
Ao final o argumentista pergunta qual desses dois líderes acompanharíamos. Evidentemente todos preferem o homem disciplinado e idealista. Eu não, de cara percebi o truque. E, pelo comportamento, imaginei o primeiro personagem frio, calculista e até com chances de ser desumano. Capaz de atrocidades e guerras. O segundo já me pareceu cheio de calor humano, paixão, capaz de errar e dar a volta por cima, explosivo, realizador e que precisava de muitos vícios para encarar a angústia de viver. Enfim, um sujeito com vísceras que me identifiquei muito. Acho que eu e Bukowski.
O primeiro era Adolf Hitler e o segundo Winston Churchill.
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Luiz Mendes
13/09/2011.
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