por Bruna Bittencourt

Primeiro surfista profissional da Islândia, Heidar Logi conta à Trip como é pegar onda na ilha, com seu clima imprevisível e sob as luzes da aurora boreal

 A Islândia é um dos últimos lugares no mundo onde você espera encontrar um surfista. "O clima aqui é brutal. Não é como dirigir até uma praia com a certeza que você encontrará boas ondas. Nunca se sabe como o vento estará. É uma sensação de realização toda vez você que consegue surfar", conta por telefone à Trip Heidar Logi. O islandês de 24 anos é o primeiro surfista profissional do país.
E como se não fossem suficientes as condições adversas, Heidar prefere surfar no inverno. "Há muitas tempestades pela ilha. Obviamente, as ondas são mais fortes, mas a temperatura da água cai muito, de zero a -40º", conta o islandês, que já chegou a encarar o mar com -15°C.

Heidar mostra como é surfar na Islândia, sob a força do vento do Atlântico Norte, no curta-metragem The Accord (2016), que filmou com o amigo e fotógrafo Elli Thor . "Você pode chegar para surfar e as condições estarem boas, mas quando veste o wetsuit, o vento já mudou", conta. "Para mim, surfar na ilha é especial, mas para muitas pessoas seria torturante." A dupla prepara com a Red Bull um novo documentário do qual ainda não revelam o tema.
Um anos depois de Accord, Heidar protagonizou com outros seis surfistas Under an Artic Sky (2017), documentário disponível no Brasil no Netflix que nos lembra como o surf pode estar longe de suas raízes mais aventurosas. O média-metragem de Chris Burkward (fotógrafo americano de surf que esteve mais de 20 vezes na Islândia nos últimos dez anos) registra a viagem do grupo rumo ao norte do país em busca de ondas intocadas, em pleno inverno, quando são surpreendidos pela pior tempestade de neve na ilha em 25 anos.

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"Foi uma viagem difícil, do começo ao fim", lembra Heidar. O grupo enfrentou três tempestades, estradas fechadas, risco de avalanches e a dúvida se seguiam rumo ao norte ou se abortavam a expedição. Foram em frente e acabaram recompensados por uma sessão de surf sob as luzes da aurora boreal. "Surfar à noite, entre montanhas com neve e sob as estrelas foi uma das coisas mais incríveis que fiz na vida. Foi muito louco pegar uma onda e remar de volta vendo a aurora boreal." A expedição acabou na capa da revista americana Surfer.
Heidar, que começou a pegar onda aos 16 anos, segue como o único surfista profissional da ilha, mas há outros amadores. "Somos uma pequena comunidade, todos se conhecem." Seu lugar preferido para surfar na Islândia é a costa leste, oposta à capital Reykjavík, onde mora. "Toda vez que vou para lá é inesquecível, mas é bem longe de onde estou."
O surf o ajudou a superar um transtorno severo de déficit de atenção com hiperatividade, problemas com bebida e de comportamento na adolescência. "Quando percebi que queria ser um surfista profissional, pude usar minha energia para o que valia a pena, em vez de ter que extravasar ela bebendo ou me metendo em encrencas. Pegar onda me ajudou a ter mais foco na vida."

Heidar nunca competiu e planeja continuar dessa forma. "O que mais gosto é surfar com meus amigos e viajar." Ainda assim, conseguiu atrair patrocinadores usando seu diferencial: ser um surfista na Islândia. "Estou sempre trabalhando com fotógrafos, fazendo vídeos. É um tipo diferente de surf e de patrocínio. Sou sortudo por pode fazer isso." Explorando esse lifestyle (ele também dá workshops de yoga), já fez campanha para a Pepsi, Hyundai e abastece com regularidade sua conta no Instagram .  
No ano passado, visitou Marrocos, China, Irlanda, Indonésia, Nepal e Alemanha. "Mas para ser honesto tento não viajar muito porque quero passar o maior tempo possível na Islândia, surfando com meus amigos. Mesmo que seja difícil, gelado e imprevisível é ainda meu lugar preferido."

Créditos

Imagem principal: The Accord/Tributaries Digital Cinema/Divulgação

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