Por Redação
em 21 de setembro de 2005
FHC recentemente contou como se embaraçou uma vez no auditório de Silvio Santos ao tentar explicar a antiga URV. Segundo o Presidente, ele foi salvo por Silvio, que explicou a nova sigla de maneira simples ao auditório. E seria por isso um grande comunicador.
Acompanhei nas páginas da última Trip e aqui no site a polêmica envolvendo SS. Se ele era ou não um gênio, se era ou não um aproveitador do povo. Mas me desculpem, antes de falar de SS não podemos nos esquecer dos problemas sérios da TV hoje. Vejamos, portanto, o ‘trabalho’ de João Kléber. É a total falta de ética e seriedade na comunicação. Os argumentos são tantos, que foi difícil escolher qual espremer nessas linhas. Portanto, me desculpo por omissões.
É preciso começar com o passado para entender João. Ele foi para o ostracismo voluntário depois de fazer campanha para o ex-presidente Collor. Voltou, depois que o jornal embrulhou o peixe, para a Rede TV, que se posicionava como ‘uma opção de qualidade na sua TV’.
O tempo foi passando e para viabilizar-se comercialmente da maneira mais fácil possível, a Rede TV abandonou seu slogan. Aí entrou João. Começou com o teste de fidelidade. Aquele em que ele traz pessoas humildes para serem humilhadas em busca de fama em frente as câmeras. Quem não viu não veja, porque não vale a pena. Às vezes, damos risada por maldade quando alguém escorrega e cai. Pois bem, nem com a perversidade natural de qualquer um é possível se entreter com aquela baixaria de 8ª categoria.
Mas João vai além. Num dos seus quadros, fez campanha (de novo) para o deputado Celso Russomano. Colocou-o para prender um estelionatário ao vivo diante das câmeras. Outro dia, mandou seu repórter na porta da Polícia Federal ‘mandar chamar um delegado’ para ajudar o pobre que estava no auditório. O repórter não conseguiu falar com ninguém, mas o espetáculo continuava. Custava marcar hora? Procurar as instituições adequadas da Justiça? Não, pois isso iria atrapalhar o circo. Fez de palhaço o pobre e a Polícia Federal.
João também gosta de pegadinhas e shows de realidade. Disse que vai lançar um no presídio, mas sem querer acabou fazendo um pegadinha de realidade. Segundo a vítima da pegadinha, ela foi abordada por um produtor da Rede TV convidando-a (?) a participar da ‘brincadeira’. Nela, usaram uma arma de fogo carregada e o participante acabou baleado. Mais tarde, a vítima contou à imprensa que João ligou do celular pedindo para que não o levassem ao hospital, assim a polícia podia se envolver. Mas ele acabou indo mesmo assim e o produtor foi preso e indiciado por tentativa de homicído. Se as pegadinhas acabaram? Não, o show tem que continuar.
Mas o golpe final veio recentemente. João Kléber vai processar Marcos Mion por ter lembrado com quem ele é casado. Ele é casado com Wania Guerreiro, ex-namorada de PC Farias que o traiu com o arquiinimigo Pedro Collor. Cabe a pergunta, João, por que a vergonha? Com certeza não é pelo fato de ela ter posado para a Playboy (edição de junho de 92), uma vez que as maiores estrelas da nossa TV já passaram por lá. Seria então por causa da chamada da capa: ‘Escandalo Nacional’.
A resposta é óbvia e dispensa teste de fidelidade. João não quer para si a humilhação que faz com os outros. Não quer, como qualquer pessoa, ter sua intimidade exposta. Não quer o passado lembrado. Ele quer evitar brincadeiras com o teste de fidelidade e a sua vida particular. Concordo, Jõao, você está certo. Eu também processaria o Mion. Mas vou lhe repetir uma lição que meu pai me deu: não faça nunca com os outros o que você não quer que façam com você.
E nem pense em me processar por este texto se você ficar com vergonha de novo. Ele já foi revisado por advogados. Se mesmo assim você insistir, alerto que com isso você só está aumentando a questão: dando holofote para mim e para as suas incoerências. Por isso, por favor, não me faça ficar famoso. Eu, como você, João, também odeio mostrar minha vida em público.
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