PERSPECTIVAS ERAM BOAS
Além de ter se tornado uma opção profissional, a extensa costa contribui para que o surfe esteja hoje entre os três esportes mais praticados no Brasil
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
O surfe está entre os três esportes mais praticados por homens no país. Há quem garanta que já é o segundo. É bem possível. Deslizar sobre uma prancha traz um incrível bem-estar físico, mental e espiritual, e é nítido que a cada dia mais gente percebe isso.
A extensa costa, com razoáveis ondulações, centenas de praias acessíveis e temperatura favorável quase o ano inteiro, também contribui. Soma-se a tudo isso o fato de que o esporte se tornou nos últimos anos uma opção profissional.
A multiplicação das provas no país e a melhora das premiações têm atraído novos competidores, e o reflexo se nota na participação brasileira na elite mundial. Nos últimos anos foi crescente o número de atletas do país nos dois principais rankings do esporte.
Este ano chegamos ao número recorde de 11 atletas entre os 45 da principal divisão, WCT. No ranking de acesso, fizemos os quatro últimos campeões. Não à toa. Nas últimas seis edições do Tour, o Brasil foi o país que mais pontos e prêmios distribuiu. E obviamente competir em casa contribui para nossa representatividade no cenário mundial.
Até o cancelamento das etapas motivado pelo terrorismo, as perspectivas eram as melhores. No WQS a possibilidade de um dos irmãos Padaratz chegar ao título era muito boa. Teco, ocupando a quarta posição, com as duas provas no Brasil, uma delas em Florianópolis, tinha chances reais de chegar ao inédito tricampeonato, enquanto Neco, mesmo somando apenas seis dos oito resultados possíveis, ocupa a sexta posição. Ele somaria qualquer resultado, enquanto seus adversários só poderiam, no máximo, trocá-los.
Cabe destacar que, em 99, quando Neco garantiu seu retorno à elite, depois de abandonar o Tour em 97, ele se programou para disputar apenas oito provas e milimetricamente atingiu seu objetivo. Não seria viagem dizer que seu foco era o título do QS este ano.
Pena que seu próprio patrocinador foi responsável por um dos cancelamentos. O argumento é que a previsível ausência de estrangeiros na prova esvaziaria a repercussão do evento e, portanto, seu retorno. Será que os australianos e os americanos pensam na presença de competidores brasileiros quando promovem provas em seus países?
No caso da Hang Loose, cabe um desconto, a empresa responsável pela marca já havia promovido duas importantes provas no início do ano, e o faz há anos. Já a Maresia, depois de baixar a premiação e, portanto, os pontos (de seis para quatro estrelas) da sua etapa, resolveu cancelá-la.
O efeito no caso atingiu a ponta oposta da lista de classificáveis. Dois de seus atletas, Fábio Silva e Christiano Spirro, foram diretamente prejudicados com o cancelamento. Junto com eles foram Danilo Costa, que há anos bate na trave, Renan Rocha e Armando Daltro, que estão fora das duas listas.
Todos ainda têm chances de alcançar a classificação na derradeira etapa havaiana, mas seguramente elas serão menores.
Já no WCT, em um ano sem favorito, as etapas na Europa poderiam colocar alguns brasileiros no páreo do tão sonhado título mundial. O tipo de onda das provas da França e de Portugal, principalmente, justificam a colocação. Os nossos resultados dos últimos anos também. Resta esperar pelos próximos, sem terror.
NOTAS
WAKEBOARD
Marreco venceu a etapa de Brasília e empatou com Fabinho De La Rosa e Marito na liderança do ranking nacional. Faltam as provas de São Paulo e Rio.
BODYBOARD
Com o possível cancelamento da prova do Havaí, o Super Tour que começa nesta quinta-feira no Rio pode ser a final do recém-criado circuito mundial masculino, que reúne os 32 melhores do esporte.
SKATE
A revista Tribo comemora 10 anos de vida com uma edição especial de fotos reforçada.
100 PÉS
Começou no Estado americano de Washington no noroeste do Pacífico o período de busca da maior onda surfável do planeta, o projeto Billabong Odyssey.
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