por Paulo Lima

A Trip deste mês é dedicada aos guerreiros. Gente que não se dobra. Indivíduos que não se cansam de buscar aquilo em que de verdade acreditam.

No passado, Tom Jobim disparou uma daquelas frases que calam fundo na al­ma de um povo. “O Brasil não é para principiantes.”

O aforismo, que tanto serviu aos filósofos de sushi bar, está datado. Ainda que o observador tenha só uma das vistas e carregue nela graus importantes de miopia e astigmatismo, verá ao seu redor um país que não é viável sequer para os mais tarimbados e escolados nas artes da sobrevivência na adversidade. Chegamos a um grau de ignorância, desgoverno, violência e corrupção para os quais nem MacGyver, Marcola ou o mais moderno dos Transformers arriscariam uma solução.

Mas como, debaixo de layers e layers de roubalheira encravada nos três poderes e no setor privado, desmandos, burrice crônica, safadeza e ignorância oceânica, ainda há de haver algo que nos dê uma réstia de esperança, não cansamos de escavar.

A Trip deste mês é dedicada aos guerreiros. Gente que não se dobra. Indivíduos que não se cansam de buscar aquilo em que de verdade acreditam. Gente que não teme os adversários enfurecidos pela unilateralidade tacanha, as pedradas desferidas pelas catapultas da estupidez e, principalmente, capaz de resistir a um dos mais nefastos efeitos de situações de penúria nacional como esta que vemos descascada todos os dias nos jornais: o sentimento de frustração indelével que se forma dentro de cada um. Aquela sensação que os punks ingleses do século passado costumavam chamar de “no future”.

Vamos então aos guerreiros. Acreditemos neles. Sejamos guerreiros!

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