por Paulo Lima

Esta edição da Trip revisita o conceito de flow, um dos nomes que se atribui aos momentos de nossas vidas em que nos sentimos de verdade inteiros

Numa visão mais aberta, o quadro nacional continua, para dizer o mínimo, bastante frustrante. Bem além do já recorrente oceano de corrupção, incompetência e absoluta falta de senso republicano que arrasta a quase totalidade dos “representantes do povo” na esfera política (sejam quais forem as agremiações, estados, instâncias e origens), temos a violência nas ruas matando até bebês que sequer deixaram as barrigas das mães, além do famoso capitalismo de compadrio agora com suas tripas abertas revelando todos os traços da mesma incompetência corrupta encrustados nos órgãos vitais das nossas “potências empresariais”. E as exceções tornam-se cada vez mais raras. Poderíamos alongar a lista com o êxodo de inteligências vazando pelas nossas fronteiras em busca de alguma dignidade, a cena lamentável do que restou do nosso campo científico relegado ao décimo plano, a educação precaríssima, o judiciário cada vez mais revelando semelhanças e conexões diretas com os contextos descritos acima acerca dos ambientes políticos e empresariais e assim por diante.

Mas, se é que é possível falar em algum subproduto positivo desta terra arrasada em que nos encontramos, talvez ele habite naquilo que define o poder de uma das mais importantes divindades do vasto panteão hinduísta, o deus Shiva. Ela carrega uma espécie de virtude cíclica que atua destruindo, criando e transformando, num processo circular e obedecendo a uma lógica que tem a destruição como pressuposto para a construção do genuinamente novo. Assim, talvez o cenário desolador nos mova a esquadrinhar e a reavaliar o todo, e a procurar com mais avidez aquilo que realmente nos define e nos faz sentir inteiros.

Esta edição da Trip revisita o conceito de flow, um dos nomes que se atribui aos momentos de nossas vidas em que nos sentimos de verdade inteiros, sem nenhuma dúvida sobre as dimensões maiores e menos concretas que também dão sentido a nossa existência. Aquelas situações, pessoas, lugares, expressões ou coisas que nos libertam de quaisquer dúvidas e nos enchem de uma sensação de plenitude e de não querer nada diferente daquele aqui e agora.

Vamos juntos então, com a benção de Shiva, em busca do flow...

Créditos

Imagem principal: Divulgação

matérias relacionadas