apresentado por Santander

Galeria no Inhotim, com patrocínio do Santander, exibe mais de 400 fotos da artista

A cada foto, um encontro. Essa é uma das virtudes da obra de Claudia Andujar: a capacidade de provocar uma conexão com o outro. Nascida na Suíça em 1931 e radicada no Brasil desde os anos 50, Claudia dedicou boa parte de sua vida aos índios Yanomami.

Um recorte do trabalho da artista pode ser visto na Galeria Claudia Andujar, no Instituto Inhotim. Patrocinado pelo Santander, o espaço tem mais de 400 fotografias realizadas pela fotógrafa entre 1970 e 2010. “Eu estou muito feliz de ter essa galeria. Realmente é como um sonho que se realizou. Acho que é o lugar mais bonito e mais agradável que eu conheço”, diz Claudia.

De acordo com Marta Mestre, curadora do Instituto Inhotim, a galeria surgiu de um desejo de homenagear a cultura indígena para oferecer um contraponto à visão de mundo do homem branco. “A obra da Claudia Andujar revela magistralmente vários aspectos da vivência do povo Yanomami”, destaca.

A exibição segue a história de Claudia com os Yanomami desde o primeiro contato com a tribo, nos anos 70. “Trata-se de um percurso expositivo, onde vida e obra se fundem, e que resulta em uma dupla homenagem: ao povo Yanomami e à fotografia”, explica Marta. Idealizado em conjunto com Rodrigo Moura, ex-diretor artístico e ex-curador do Instituto, o pavilhão traz também livros da artista e o documentário A estrangeira (Brasil, 2015), dirigido por Moura.

Patrocinar a galeria é uma forma de celebrar o trabalho da fotógrafa e a cultura nacional. “Para o Santander, é uma grande satisfação estar em sintonia com as ações realizadas no Inhotim, considerado o maior centro de exposição de arte contemporânea no Brasil”, afirma Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade
do Santander. “Temos muita admiração pelo trabalho de Claudia Andujar, que oferece seu olhar para registrar um pouco sobre a alma de um povo que luta pela preservação de sua cultura.” O estímulo do banco à arte vem sendo reforçado no apoio a teatros, cinemas e outras instituições, como o Museu do Amanhã, o Museu do Estado de Pernambuco e o Museu Inimá de Paula. Segundo Marta, ninguém fica indiferente à visita. “Penso que a Galeria Claudia Andujar tem a potencialidade de gerar um magnífico efeito de espelho que, sob o véu de expormos os outros, deixa passar observações sobre nós, sobre a nossa cultura, as nossas noções de arte, os nossos valores e atitudes.” Vale o mergulho.

 

AMIGA DE UM POVO
Na época em que Claudia conheceu os índios, o governo militar construía rodovias na região. “Isso para os Yanomami foi um desastre, trouxe muitas doenças. Centenas morreram”, conta. A partir de então, a artista decidiu que não seria testemunha da tragédia: deixou o fotojornalismo e passou anos na Amazônia.

Em 1978, após ser expulsa do local pelo governo, ajudou a fundar a Comissão pela Criação do Parque Yanomami. O objetivo inicial da ONG – a demarcação da Terra Indígina Yanomami – só foi alcançado em 1991.

“Durante os anos 70 e 80, me dediquei completamente aos Yanomami, não só para fotografar, mas para me aprofundar na cultura deles”, diz Claudia. Para a artista, o contato com os índios foi uma forma de lidar com sua infância. Criada na Romênia, Claudia era filha de um judeu e teve parte de sua família dizimada pelo nazismo. A série Marcados tem uma ligação forte com essa história.

Os retratos mostram índios que, de 1981 a 1983, foram identificados com números para uma iniciativa de saúde. Claudia lembra da prática usada nos campos de concentração: “Meus parentes no passado foram marcados para morrer. Esse projeto de saúde que a gente começou era ‘marcados para viver’”.
Hoje, a artista é referência para os índios. “Para mim, a Claudia é uma grande amiga de verdade, ela é uma guerreira para os Yanomami”, afirma Dário Yawarioma, 26 anos, filho do líder Davi Yanomami.

Em outubro, a fotógrafa voltou à região e não saiu plenamente satisfeita. “O reencontro, por um lado, foi muito bom porque se lembraram de mim, todo mundo me chamou de mamãe. Por outro lado, estão enfrentando muitos problemas.” Segundo Claudia, a área demarcada tem sido invadida por garimpeiros.

Quando questionada se vai voltar à luta agora, aos 85 anos, Claudia diz que não sabe. “No momento, tenho que cuidar de mim”, defende. Ainda assim, a artista não está acomodada.

Claudia não recusa uma conversa sobre os Yanomami e sua obra segue para dar visibilidade a um povo inteiro.

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