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O imaginário do Dr. Gilliam

Cineasta Terry Gilliam fala sobre as vantagens e desvantagens de ser 'o dono do circo'

Terry Gilliam

Terry Gilliam / Créditos: Reprodução


Por Luiz Filipe Tavares

em 8 de agosto de 2011

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“Cada viagem a Hollywood para mendigar dinheiro para meus filmes os estúdios reagem do mesmo jeito: ‘Adoramos todos os seus filmes, Terry. Somos grandes fãs, de verdade. Apaixonados… humm, mas esse filme? Não sei, não… Estou em dúvida!'”. Pode parecer brincadeira, mas é a vida do premiadíssimo e influente diretor, roteirista e animador norte-americano Terry Gilliam, que tem em seu currículo alguns impressionantes trabalhos que incluem uma longa temporada com os britânicos do Monthy Phyton, com quem produziu quatro temporadas na televisão e dirigiu seu primeiro longa, o indispensável Em Busca do Cálice Sagrado.

Depois disso foram mais dez filmes que incluem os clássicos Medo e Delírio, As Aventuras do Barão de Münchausen e mais 12 Macacos, Brazil e o mais recente O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, último filme de Heath Ledger, que morreu durante as filmagens. É principalmente sobre a produção do excelente filme com Tom Waits, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell que se desenrolou a ótima entrevista que o site brasileiro Brainstorm 9 fez com o diretor e criador do mundo imaginário, que também falou sobre a dificuldade de produzir filmes em Hollywood.

“Tudo continua do mesmo jeito. Cada filme é o primeiro filme da minha vida, cada orçamento é o mais difícil da minha vida. É sempre difícil fazer as coisas acontecerem”, Gilliam detona, com o bom humor mais do que habitual. “A lista de filmes que eles amam cresce, mas as dúvidas continuam. Nietzsche estava errado: o que não te mata não te faz mais forte, só te deixa muito mais cansado.”

“Eu faço meu espaço”, diverte-se. “É uma das vantagens de ser o dono do circo!”

Dr. Parnassus sem Ledger

Trailer do filme O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus

Poster de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
Poster de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus / Créditos: Divulgação

Morto durante as filmagens do longa, Heath Ledger protagonizou seu último papel no filme mais recente de Gilliam. Segundo o diretor, a decisão de continuar as filmagens sem o ator foi a mais difícil de ser tomadas. Com o apoio de outros grandes atores, todos amigos pessoais de Ledger, o diretor conta como foi que a equipe conseguiu produzir o filme sem substituir um dos atores principais.

“A decisão de continuar o filme foi a mais difícil, mas uma vez que ela foi tomada, o resto se encaixou. O personagem entra no espelho três vezes, logo, três atores poderiam representar essas fases. Chamar apenas uma pessoa para substituí-lo nunca foi uma opção. Incluir Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell foi complicado por conta de calendários, mas foi ótimo. Escolhemos amigos de Heath para fazer isso. Eles chegaram, não ensaiaram e filmamos. Com Johnny [Depp], por exemplo, tivemos 3h30 num único dia. Era tudo ou nada”, conta orgulhoso.

“Quando assisti a primeira vez pensei: ‘como conseguimos fazer essa p$%$?’ [gargalhadas]. Um modo de entender esse acontecimento é pensar que, durante aquele tempo, esses atores deixaram seus egos de lado e fizeram algo por e para Heath. Precisamos de pequenos ajustes, mas nada relevante em termos de personagem. Alguns podem pensar que fizemos analogias a Heath Ledger, mas tudo já estava escrito. Esse filme analisa a mortalidade, logo essa tragédia vai, inevitavelmente, se relacionar.”

Leia mais da entrevista no Brainstorm 9.

 

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