Nouvelle marmitex
Prato energético, a marmita deve garantir o sustento das bases dos homens da construção. Trip conversou com especialistas para descobrir a melhor receita para um restaurante de andaime
Por Redação
em 20 de abril de 2007
Por Fernando Gueiros // Fotos Chico Muniz
Fazer um furo na lata de sardinha, instalar três ou quatro pregos em volta, encher de álcool e acender. A marmita repousa sobre os pregos. E os olhos famintos sobre a caixinha. Arroz, feijão, farinha e bife são a receita tradicional do mata-fome dos profissionais da construção. Mas será essa uma alimentação adequada para a dura vida de um pedreiro? A nutricionista Renata Fernandes, do Hospital das Clínicas de São Paulo, acredita que “é preciso estar atento às condições de refrigeração, limpeza e manutenção (aquecimento) da marmita”. O recipiente pequeno, normalmente com 4 centímetros de profundidade, 10 de largura e 14 de comprimento, exige muita energia para o trabalho pesado.
“O trabalhador consome alta quantidade de energia, perde líquidos com o suor e tem alto estresse muscular”, analisa a nutricionista. Para Renata, a marmita deve ter arroz branco, feijão, bife grelhado, cenoura refogada e banana de sobremesa (sai por apenas R$ 3,50 e contém 860 calorias). “Os alimentos à base de massas, grãos e cereais são ótimas fontes de energia e precisam ser combinados com outras fontes de alimentos”, explica. “É necessário também manter a ingestão de frutas e verduras, alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais.” Trip pediu a três chefs receitas para incrementar a boa e velha marmita.
Confira o que eles indicam:
Vanessa preparou uma marmita requintada, pensando na consistência dos alimentos. “Batata sustenta e carne de porco é rica em proteínas”, afirma. Preparou arroz preto integral, purê de batata, salame de pé de porco e uma gema de ovo. O toque especial fica por conta do tempero: pequi, fruta nativa do cerrado brasileiro. O banquete sai por R$ 4,60, aproximadamente.

Vanessa Trefois, 29, private chef (cozinha em jantares particulares) www.vanessatrefois.com.br, tel.: (11) 8588-4627
A cozinha francesa de Charlô serviu de maneira criativa a marmita. Ele preparou um ragu de costela de boi com arroz, feijão-preto, abóbora cozida com alho e manteiga e couve. Tudo tem um motivo. “O molho do ragu fica embaixo da comida – isso, ao esquentar, ajuda a não queimar a refeição”, ensina. A couve e a abóbora servem para variar os legumes na refeição. “É necessário comer sete frutas ou legumes diferentes por dia”, manda o chef. O fino prato custa R$ 6, aproximadamente.

Charlô Whately, 51, chef do Bistrô Charlô. Rua Barão de Capanema, 440, São Paulo. www.charlo.com.br, tel.: (11) 3088-6790
Para Machado, a marmita deve ser feita de matéria-prima facilmente encontrada. “Tem que ter gosto popular”, diz. Rapidamente Cássio preparou: arroz com tomate, cebola e manjericão, feijão-preto e um belo bife à milanesa. O chef explica: “Bife à milanesa é a melhor carne para ser requentada”. O PF caprichado sai por R$ 5.

Cássio Machado, 44, chef do restaurante Di Lounge. Rua Girassol, 273, São Paulo. www.cassiomachado.com.br, tel.: (11) 3815-3201
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu