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Missão cumprida

Apesar de não ter sido eleito como deputado federal, saio da campanha de 2010 orgulhoso

Missão cumprida

Créditos: Carolin Loebert / www.carolinloebbert.de


Por Alê Youssef Trip #194

em 16 de novembro de 2010

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Ter quase 20 mil votos nesta eleição foi uma grande vitória. Tenho certeza de que fizemos uma campanha diferente e bonita e agradeço demais o apoio que recebi de muitos leitores da Trip.

Optei com convicção por um trabalho de resgate do voto de opinião. Não seria candidato a deputado federal para fazer o convencional e foi justamente por isso que não aceitei dinheiro de lobby de empresas e não adotei a tática da esmagadora maioria dos candidatos que compra lideranças comunitárias para formar currais eleitorais nas periferias das cidades – o que garante grandes quantidades de votos. Também não busquei a visibilidade da campanha com cavaletes horrorosos, santinhos espalhados pelas ruas na porta dos colégios eleitorais e toda estratégia suja adotada pelos candidatos que não se preocuparam com a lei Cidade Limpa.

Além disso, também fiz questão de incluir na minha plataforma temas que acredito serem fundamentais no debate político e que, por caretice e conservadorismo, ficam sempre à margem das discussões nacionais. São assuntos muito polêmicos para a sociedade e também ausentes da mesma esmagadora maioria das candidaturas. De novo, não seria candidato para fazer o convencional.

Sempre soube da dificuldade em me eleger com esse tipo de conduta. Também pude comprovar ao longo da campanha que realmente existe uma grande distância entre alguns setores da sociedade e a política. E essa distância é muito maior quando analisamos as novas gerações, foco principal do meu discurso e do meu esforço.

A equação que compõe o estilo diferente da campanha – com a enorme rejeição da política no universo em que estou inserido, somada ao fato de eu não ter aparecido no programa eleitoral – nos dava noção do quão difícil era essa tarefa.

E mesmo assim foram 20 mil votos! Definitivamente não é pouca coisa!

Lamento ver o Tiririca campeão de votos e o Maluf ficha suja terceiro mais votado. E fico triste em verificar a baixa votação de candidatos dedicados à cultura, como o Célio Turino, coordenador do programa Pontos de Cultura do governo federal, ou de candidatos que fizeram campanha exclusivamente pela internet, como o Claudinho Gaspar.

O setor cultural e os setores mais modernos da sociedade precisam se organizar para eleger representantes. E as pessoas precisam se acostumar com o debate político através da internet. Não é ofensa ou invasão expor ideias políticas na rede e não é reclamando disso que vamos exercer a cidadania e impedir que os mesmos políticos de sempre se elejam por maneiras verdadeiramente ofensivas e invasivas. Esses nunca deram e não darão a menor importância para a cultura, para a modernidade e para a internet.

AO LADO DA MARINA

Agradeço especialmente a Marina Silva, que despertou novamente minha vocação política com seu brilho e delicadeza e me fez topar esse desafio. O que sei ao certo agora é que estarei ao lado dela.

Volto feliz à rotina de debates sobre outra política desta coluna, aos meus Studio SP e Comitê, à presidência do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, aos demais trabalhos culturais que desenvolvo e aos meus estudos sobre economia criativa – tema que vou continuar defendendo.

O desafio é seguir combatendo a política velha e tentando despertar o interesse por algo novo nas pessoas, para que possamos efetivamente buscar a representação geracional que tanto defendi ao longo da campanha.

Me orgulho por ter dado alguns passos nesse sentido.

* ALÊ YOUSSEF, 35, é sócio do Studio SP e do Comitê, um dos fundadores do site Overmundo. Seu e-mail é ayoussef@trip.com.br. Seu Twitter é @aleyoussef

 

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