por Domingos Oliveira
Trip #194

Maria Ribeiro é atriz, diretora, intelectual, mãe... mas, para nós, é sobretudo musa

Maria Ribeiro é atriz, diretora, intelectual, mãe... mas, para nós, é sobretudo musa. E também para o Capitão nascimento (que foi casado com ela em Tropa de Elite), para o ator Caio Blat (que é casado com ela na vida real), para o cineasta Domingos Oliveira (que a homenageia com o texto abaixo) e para qualquer um que gosta de união de beleza e talento

É difícil escrever um artigo assim sem o marido ficar com ciúme. Preciso não olhar muito para as fotografias. Caio Blat, não sei como dizer, mas afirmo que você pode se considerar bem aquinhoado pelo destino. Apesar de pequenina, MARIA sem dúvida apresenta uma paisagem de muitos vales e montanhas, a ser enfrentada por um explorador sem medo e com muito tempo disponível. A impressão que me da é que cada centímetro de MARIA pode se transformar em inesquecíveis aventurosos quilômetros.

Casamentos costumam falhar por excesso de rotina. Uma vez conhecido o brinquedo a criança não quer mais, quebra-o provavelmente de ódio por não ser mais novidade. A novidade é a alma do negócio, a fonte do prazer. No amor e em outras volúpias congêneres. A fonte do prazer não é o instinto, é o conhecimento.


E, nesse ponto, MARIA oferece um privilégio raro para qualquer homem, um verdadeiro milagre. Ele pode ser polígamo sem ser infiel! Porque MARIA são muitas. Dá sem dúvida trabalho manter tantas bolas no ar. Porque se o semáforo abre antes da hora uma delas rola pelo chão e um espertalhão pode roubá-la. Quero dizer que MARIA é um malabarismo que principia na palma da minha mão.

Ela é basicamente sete. São sete mulheres todos os dias. Cansativo, mas muito interessante.

Primeira: MARIA mulher. Olhai agora as fotos e segurai-vos na cadeira, incauto leitor. Indubitavelmente é papa-fina, leite de cabra, delírio.

Segunda: MARIA intelectual. Ela sabe de tudo. Mulher bem informada, cheia de senso de humor. Ou seja, não é fácil. Rigorosa, radical, exigente, poucos sócios em seu clube. Capaz de transformar qualquer papo cabeça em aventura romântica. Ou em duelo de morte.

Terceira: MARIA artista. Atriz e cineasta de valor, que fez um documentário sobre a minha modesta pessoa que está por estrear, intitulado Domingos. Não é uma gracinha? Diz ela que fez porque me ama, porque um dia entrou na minha casa para ler uma peça e deu vontade de morar lá, ficar para sempre. Somos completamente diferentes, eu e ela. E iguais ao mesmo tempo. Daríamos um casamento extravagante se não fôssemos ambos comprometidos. Quero dizer, MARIA, que se eu tivesse muitas vidas, te dava uma.

Quarta: MARIA mãe. Ela é louca pelo Bento e pelo João, na verdade sem tempo disponível para o que não seja deveres maternos. Porém, boas mães é tudo o que verdadeiros homens sempre almejaram. Para si, é claro.

Quinta: MARIA bonita. Daquela beleza que se alimenta na persistência da observação. Quanto mais olhamos, mais bonita ela fica. Realmente o inventário das belezas de MARIA vai do topo da cabeça ao fundo dos pés.

Sexta: MARIA amiga. Fiel e dedicada guardiã de amizades. Mulher de amigo meu para mim é homem, mas mulher amiga minha é mulher mesmo.

Sétima: MARIA Ribeiro. Mix pós-moderno de todas elas. Fusão de corpo e alma. MARIA.

Eu diria que MARIA é magia, calmaria, aristocracia, acrobacia, euforia, nostalgia, anarquia e alegria. Facilitaria a poesia se todas as mulheres chamassem MARIA.

*Domingos Oliveira é ator, dramaturgo e cineasta. Dirigiu, entre outros, Separações (2002) e Todas as Mulheres do Mundo (1966)

Créditos

Imagem principal: Marcio Simnch

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