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Mapeando a estupidez

Aprenda a reconhecer um estúpido assim que ele aparecer na sua frente e saiba por que eles são tantos

em 21 de setembro de 2005

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FOTO ARQUIVO MARCOS VILAS BOAS

Nesse fim de ano caiu na minha mão o ensaio As Leis Básicas da Estupidez Humana, escrito em 1988 por Carlo M. Cipolla. Por algum tempo, ele foi professor de história econômica na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Morreu em setembro de 2000, depois de ter escrito mais de 20 livros sobre os mais diferentes assuntos: pragas na Itália, relógios, Revolução Industrial, saúde pública. Carlo Cipolla era um observador da natureza humana, e As Leis Básicas é um tratado bem-humorado de nossa precária situação. Segundo ele, as leis básicas são cinco:


1. Sempre, e invariavelmente, o número de indivíduos estúpidos em circulação é subestimado (também segundo Walter B. Pitkin, em sua Curta Introdução da História da Estupidez Humana, os estúpidos chegam a 80% da população). Pessoas racionais e inteligentes podem vir a ter atitudes absolutamente estúpidas. Dia após dia, com uma incessante monotonia, somos acuados por indivíduos estúpidos que aparecem inesperadamente nos mais inconvenientes lugares e nos mais improváveis momentos.


2. A probabilidade de que alguma pessoa seja estúpida independe de qualquer outra característica dela. A estupidez nada tem a ver com raça, religião, classe, time de futebol, escola de samba ou partido político. É um privilégio concedido a todos os grupos humanos.


3. Uma pessoa estúpida é aquela que causa prejuízo para si mesma e para os outros, sem tirar dessa ação qualquer vantagem. O nosso dia-a-dia é cheio de ocasiões em que perdemos dinheiro, tempo, energia ou apetite por ações intempestivas de criaturas que não têm nada a ganhar. Normalmente, não se consegue explicar como é que alguém pode fazer uma coisa dessas. Existe uma explicação: a pessoa em questão é estúpida.


4. Pessoas que não são estúpidas sempre subestimam o poder de dano dos indivíduos estúpidos. Um ato estúpido é sempre inesperado porque é um ato que as pessoas racionais têm sempre dificuldade em entender o porquê. Somos pegos de surpresa pelo ataque e, mesmo quando estamos conscientes da situação, não é possível organizar uma defesa racional porque o ataque em si carece de qualquer estrutura racional.


5. O estúpido é o tipo mais perigoso de pessoa. Genialidade e loucura caminham juntas, assim como estupidez e inteligência. Segundo Stephen Bayley, autor do Dicionário da Estupidez, se as pessoas não fizerem coisas estúpidas, nada de inteligente poderia acontecer para corrigir as bobagens feitas. O progresso humano depende da prática contínua da estupidez.


Alguns livros e ensaios para quem tiver tempo, paciência e quiser um pouco mais de informação sobre o assunto: The Basic Laws of Human Stupidity, de Carlo M. Cipolla; Short Introduction to the History of Human Stupidity, de Walter B. Pitkin; The Encyclopaedia of Stupidity, de Matthijs van Boxsel; Dictionary of Stupidity, de Stephen Bayley; O Poder da Estupidez, de Giancarlo Livraghi.


* J. R. Duran, 52, fotógrafo, é um estudioso da insensatez humana. Seu e-mail é: studio@jrduran.com.br

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