Magal e as Formigas

por Anna Virginia Balloussier

Cantor Sidney Magal volta ao cinema e viverá um anjo cigarra

Anos antes de querer vê-las sorrir e querer vê-las cantar, Sidney Magal levou um esporro daqueles do padrinho, general do exército. Na adolescência, quando começou a se aventurar pela MBP, o intérprete dos versos de “Sandra Rosa Madalena” foi comparado a um vagabundo que não queria saber de “profissão séria”. Aos 59 anos, ele lembra até hoje do desafio que o padrinho fez à sua mãe, Sônia Magalhães, uma dona de casa que nas horas vagas virava a cantora Sandra Rosa na Rádio Nacional. “Tá vendo, Sônia? Vai deixar seu filho ser que nem cigarra? Tem que servir o exército”, rememora.

O filho de dona Sônia se encantou, portanto, “com a coincidência” quando foi chamado para conversar pelo ex-secretário do Audiovisual (no governo Lula) e atual presidente da Associação de Roteiristas, Newton Cannito.

Sidney Magalhães, vulgo Sidney Magal, fechou o negócio na hora. Será a estrela de Magal e os Formigas, o primeiro filme dirigido por Cannito, que escreveu a série Cidade dos Homens (Globo) e o filme Bróder, de Jeferson De.

Voltará ao cinema depois de filmes como Amante Latino e O Sexo das Bonecas, ambos dos anos 70. Ele viverá ele mesmo, uma espécie de “anjo cigarra” que será “mentor de um velhinho depressivo falido que precisa curtir mais a vida”, conta o diretor. A sinopse reinventa a fábula da formiga, que só queria saber de trabalhar, e a cigarra, afim de diversão.

O realismo fantástico de Cannito inclui uma cena em que, “para salvar a família, o velho formiga terá que fazer uma banda cover do Magal”. Aí, continua o cineasta, “vira musical, com um bando de velhinhos rebolando tal como o Magal”. No elenco também estão Juca de Oliveira, Gabriel Braga Nunes e Marcelo Serrado.

 

"Nem 'Meu Sangue Ferve por Você' nem 'Se te Agarro com Outro te Mato'. 'Me Chama que Eu Vou' é a música que mais me representa. Quando me convidam, vou mesmo”

 

Trabalhar cansa? “Graças a Deus tenho uma profissão que não faz mal às pessoas”, resume Magal, que vive em Salvador há 15 anos com a mulher e três filhos (todos adultos morando em casa). “No fundo, no fundo, todos nós, ídolos de alguém, representamos alguma coisa de bom”, filosofa o músico à Trip, por telefone, alternando as palavras com barulhos estrondosos da garganta (“é pigarro, é pigarro”).

Mas Magal teve de rebolar muito até virar essa “cigarra de sucesso”, como ele mesmo define. Com 35 anos de carreira, ele lançará em breve o DVD Coração Latino, mais uma vez “em cima da latinidade do meu trabalho”, com músicas inéditas e regravações de artistas como Alejandro Sanz e Luis Miguel. Também é jurado do reality show musical Brazil Got Talent, que será apresentado por Rafael Cortez na Record.

"Nem 'Meu Sangue Ferve por Você' nem 'Se te Agarro com Outro te Mato'. 'Me Chama que Eu Vou' é a música que mais me representa. Quando me convidam, vou mesmo”, resume o dono dos quadris mais hiperativos da música brasileira.

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