Histórias pra contar
O cineasta Philippe Barcinski dá, de mão beijada, três possíveis roteiros de cinema
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Em viagem de pré-produção para a série Expresso Brasil, da TV Cultura, conheci, de uma tacada só, os Estados do Amapá, Tocantins e Acre. Ouvi muitas histórias cinematográficas e resolvi dedicar este espaço não aos filmes em lançamento, mas aos jamais feitos:
Acre, 1902. O Estado foi tomado pela Bolívia. O governo brasileiro não consegue recuperar a terra. Seringueiros se juntam e formam uma armada. Índios se juntam aos brasileiros e expulsam os bolivianos.
Pará, 1928. Para fugir da dependência da borracha, Henry Ford monta uma cidade no Brasil implementando o sistema industrial da extração do látex. Nasce a Fordlândia. Os conflitos começam quando os norte-americanos tentam impor o american way à comunidade cabocla. Sem sucesso. O sonho e a arrogância do empresário são vencidos pelos hábitos brasileiros e pela selva.
Acre, 1981. Para a abertura da rodovia que liga o Acre a Rondônia, um grupo de antropólogos adentra a selva virgem e encontra índios agressivos e não contatados, com a quase impossível missão de vaciná-los contra gripe. Uma situação dramática interessantíssima, na qual o protagonista quer ajudar o antagonista com um ato agressivo (uma picada no braço).
Essas são apenas algumas das histórias com potencial para grandes filmes e que, assim como os norte-americanos transformaram os fatos históricos da conquista do oeste em traço formador de sua identidade, nós poderíamos dar um pouco mais de atenção. Alguém se habilita?
Philippe Barcinski, 29, é diretor de cinema, televisão e publicidade.
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