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GORDA SEXY

Como a grande maioria dos mortais, gosto muito de ir ao cinema

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Como a grande maioria dos mortais, gosto muito de ir ao cinema. Por melhor que seja a qualidade dos ‘home-theatres’ ou dos DVDs, acho muito difícil inventarem uma sensação semelhante à das grandes salas. Não exatamente pelo nível técnico da projeção, nem pelo tamanho da tela, mas pelo simples fato de que dezenas, às vezes centenas de pessoas concordam em parar o que estão fazendo e ir para uma sala participar de uma mesma viagem coletiva. Não é exatamente um transe ou um bailado ao sabor de goles de Santo Daime, mas não vejo injustiça em chamar a pequena comoção proporcionada por um bom filme de viagem coletiva.

A imprensa, como sempre acontece no período que antecede a entrega do Oscar, anda falando muito dos filmes indicados.

Vi ‘Beleza Americana’ por exemplo e achei muito interessante considerando que a crítica ao lixo branco urbano norte-americano partiu dos próprios, mas não resisti à comparação com filmes europeus recentes sobre o mesmo marretado tema da putrefação entre relações das famílias de classe média. Na minha opinião, a força de ‘Beleza Americana’ não resiste a cinco minutos de confronto com obras como ‘Felicidade’.

MEU DEUS

No feriado, durante a viagem que fiz, tive a chance de ver um filme sobre o qual não havia lido nada. Apenas me pareceu interessante pelo que dizia o cartaz. A conveniência de estar sendo exibido ao lado do hotel em que me hospedava e o fato de que Harvey Keitel num dos principais papéis avalisava a obra me levaram para dentro.

O filme se chama ‘Holy Smoke’. Não sei se foi ou será exibido no Brasil. Se isso acontecer, posso imaginar o que farão os tradutores com o título, uma gíria muito usada na Austrália que numa tradução livre seria algo como ‘Meu Deus! …’

À sua maneira, o filme também mostra os níveis de podridão a que pode chegar a família, desta vez, um exemplo da classe média australiana.

A filha de vinte e poucos anos junta suas economias e vai, como fazem milhares de jovens do mundo inteiro, buscar ‘iluminação’ e um sentido para sua existência na Índia. Lá, encontra uma espécie de guru e se torna devota de sua seita, seduzida por mantras e viagens lisérgicas.

O filme tem dois terços de sua ação rodados num casebre no deserto australiano, mesmo assim consegue prender de forma absoluta a audiência aos assentos. Em pouco mais de duas horas põe a nocaute uma série razoável de tabus e clichês, a começar do ridículo costume dos jovens ocidentais de endeusar e se maravilhar com tudo o que vem do oriente levando na maioria das vezes tudo muito mais à sério do que os próprios orientais. Depois, de forma mais sutil, arrasa com o personagem Mr. PERFECT, que tentam representar 90% dos homens norte-americanos, com sua mistura mal temperada de machismo, pragmatismo, sarcasmo e mau gosto. O filme dá outra porrada num tema ainda mais delicado, o sexo e o amor entre uma mulher muito jovem e um homem com mais de cinquenta anos.

Por incrível que possa parecer porém, o mais violento choque causado por Holy Smoke vem da quebra de um dos mais intocáveis padrões do cinema mundial. A heroína, a mulher bonita, inteligente e desejada do filme é GORDA! Pasmem senhores, a protagonista para os padrões pós Marquês de Sapucaí ou pós Pamela Anderson se preferirem os anglo saxões, seria considerada uma baleia.

Kate Winslet, com uma atuação brilhante e das mais convincentes prova com este filme que: uma atriz pode sobreviver a horrores como o naufrágio de Titanic, e que mesmo com mais de dez quilos acima do que a maluquice atual costuma chamar de padrões normais, pode ser extremamente sexy, desejável, charmosa e bela, dando-se ao luxo de aparecer em lindíssimas cenas de nu frontal. Um filme que deveria ser saudado pelas mulheres com fogueiras de pilhas de exemplares da revista Manchete com as musas do Carnaval 2000.

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