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ELES ODEIAM POLÍTICOS

É a conclusão da pesquisa feita com 1806 jovens das nove maiores regiões metropolitanas de São Paulo

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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A página 6A do JT de domingo, trouxe um pequeno artigo cujo conteúdo merece análise. Tratava-se da divulgação de pesquisa feita com 1806 jovens das nove maiores regiões metropolitanas de São Paulo.
O resultado, nada imprevisível, mesmo assim preocupa: ninguém bota um pingo de fé nos políticos. Das câmaras municipais ao governo federal, a rejeição aferida oscila entre os 73 e os 81 por cento. A matéria esclarece que a pesquisa foi realizada em novembro de 99, não tendo portanto, sido influenciada pela diarréia de denúncias e escândalos – obra de Nicéa Pitta e outros aparentados do poder.
Avançando um pouco na leitura da mesma edição dominical do jornal, tem-se, em boa medida, a resposta a qualquer dúvida sobre a origem de tamanho descrédito. Acompanhada de fotos amareladas por décadas de sono nos arquivos do Estadão, produzidas nos anos 30 e 40, uma manchete revela e lamenta ao mesmo tempo: prefeitos demais, e uma cidade à deriva.
Se você é como eu, e cultiva o horrível hábito de arquivar e amontoar jornais e revistas semanais ao longo dos anos, pegue qualquer exemplar da pilha, sem critério algum. Invariavelmente terá nas mãos algo sobre a corrupção, os desmandos, as traições, a apropriação indébita, o enriquecimento ilícito ou a simples loucura protagonizados por algum cidadão investido de poder por um sistema político que, quanto mais a tecnologia da informação avança, mais publicamente exala seu mau cheiro.
A pergunta que me faço é: qual seria o resultado desta mesma pesquisa se fosse aplicada a adultos e pessoas mais velhas? Haveria um pouco mais de tolerância? Ou os índices de rejeição seriam mais altos ainda? É certo que quem respondeu a esta pesquisa nasceu e cresceu sob o barulho de nomes como Figueiredo, Collor de Mello, Zélia, Magri, anões do orçamento, Viscome, alguns até pegaram um restinho de Jânio Quadros, e certamente todos sabem o que significa Maluf.
Mas os mais velhos não têm do que se queixar nesta competição; viveram o auge das alucinações de Jânio, o período negro de Médici, de Geisel e, é claro, muito, mas muito Maluf.
Se a dose de incompetência e, pior, de má fé e desonestidade é proporcional ao nível de deseducação do povo (não por acaso imposto e perpetuado por estes mesmos políticos) e portanto muito maior no Brasil do que em muitos países com índices econômicos menos expressivos, a descrença no sistema político duvidosamente denominado democrático não é privilégio do Brasil.
Já mencionei neste espaço, que considero entre os fatos mais relevantes do século, o movimento visto em Seattle no ano passado, quando algumas dezenas ou centenas de jovens e adultos organizados em grupos pacíficos e representando diversas ONG’s, conseguiram impedir uma reunião de ministros e autoridades da Organização Mundial do Comércio, cujos valores, modelos de decisão e impacto negativo sobre a vida dos cidadãos gera a mesma rejeição de que trata a pesquisa do JT.
Aliás, voltando à reportagem do jornal de domingo, seu último parágrafo revela a saída, não só para os jovens brasileiros, mas para toda a civilização ocidental farta de ver como apodrece o sistema político tradicional.
A organização civil em grupos com objetivos e estratégias claras e definidas é a política deste milênio. Ao lado destes grupos, está um aliado indestrutível pelo mais poderoso ditador: a tecnologia. Lembro-me quando um grupo de jovens intelectuais do mundo inteiro começou a entupir os aparelhos de fax do governo chinês, em protesto contra a violência de seus exércitos. Hoje, apenas alguns anos depois, um computador numa residência tem a força de um exército chinês. Que a moçada deixe de lado o ôba ôba e a cervejada cara-pintada e parta para o trabalho e a ação em forma de ONG’s e associações. Assim fica fácil mudar o mundo.

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